domenica 15 novembre 2015

Copia 2 filosofia 2016


Aulas de filosofia 
1º ano

Antigos

Pré-socráticos

Platão 428a.C.(c.)-348 a.C.(c.)"É impossível que a massa seja filósofa" (República, VI, 8, 494a).

Aristóteles 384a.C-322 a.C.

Helênicos

Romanos


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1º Trimestre
Fevereiro  
1- O Mito e a Filosofia

Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.).

A palavra mito vem do grego mithos e deriva de dois verbos: do verbo (contar, narrar, falar alguma coisa para os outros) e do verbo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados.

 2- Quais as diferenças e relações entre mito e filosofia? Podemos apontar três como as mais importantes:
1O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A filosofia, ao contrário, preocupa-se em explicar como e por que, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são.
2O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas, enquanto a filosofia, ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. O mito falava em Urano, Ponto e Gaia; a filosofia fala em céu, mar e terra. O mito narra a origem dos seres celestes (os astros), terrestres (plantas, animais, homens) e marinhos pelos casamentos de Gaia com Urano e Ponto. A filosofia explica o surgimento desses seres por composição, combinação e separação dos quatro elementos - úmido, seco, quente e frio, ou água, terra, fogo e ar.
3O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional; além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é a mesma em todos os seres humanos.



3- Surgimento da filosofia 

A filosofia nasceu realizando uma transformação gradual sobre os antigos mitos gregos.
O significado de FILOSOFIA = PHILOS + SOPHIA.  Amor pelo saber, amizade à sabedoria, busca do saber.  A origem da palavra FILOSOFIA é: Grega. Tendo como fundamento as concepções de Sócrates, Platão e Aristóteles, podemos dizer que a filosofia constitui o pensamento que investiga:  As questões relacionadas ao ser humano e ao cosmo. 
A filosofia surge  como um a mãe de todas as ciências que consiste no estudo das características mais gerais abstratas do mundo.
A  filosofia grega, a começar pelos pré-socráticos, representa o surgimento consciente de uma atitude teórica marcada pela racionalidade. Os filósofos pré-socráticos discutem questões que elaboraram tanto a partir de uma leitura crítica das explicações mitológicas quanto de sua observação racional dos fenômenos naturais. O uso que Platão faz dos mitos mostra que há uma relação 
entre filosofia e mitologia no pensamento grego ao menos até a época clássica. 


4- Pré-socráticos
Tales de Mileto foi reconhecido como o primeiro filósofo do Ocidente e apontado como um dos sábios da Grécia Antiga. Ele nasceu em Mileto, uma antiga colônia grega localizada na Ásia Menor, por volta de 645 ou 624 antes de Cristo. Alguns estudiosos consideram Tales o Pai da Filosofia Ocidental.

Séc. VI a.C.: Início da filosofia ocidental com Tales de Mileto. São chamados físicos, que procuram o primeiro princípio das coisas. 

PRINCIPAIS IDEIAS: Segundo Tales, o princípio de tudo está na água. A resposta pode parecer insatisfatória, mas a sua importância está no fato de que pela primeira vez na história do pensamento, busca-se uma solução racional, não mais fantasiosa, para a questão da origem de tudo. Ele parte do princípio de que tudo o que está vivo depende de água.

5- O grande mérito de Tales
O grande mérito de Tales, na verdade, não foi a sua explicação aquática da realidade: foi o fato de que, pela primeira vez na história, o homem buscava uma explicação totalmente racional para o seu mundo, deixando de lado a interferência dos deuses.
Tales, supostamente um dos sete sábios da Antiga Grécia, instituiu a Escola Jônica e estabeleceu sólidos conhecimentos sobre a verdade, a totalidade, a ética e a política, temas ainda atuais em nossos dias.

6- Sete Sábios da Grécia
Sete Sábios ou Sete Sábios da Grécia era um nome utilizado para se referir a sete filósofos, juristas e estadistas do início do século VI a.C., que com o passar dos séculos ganharam renome devido à sua sabedoria. O conhecimento destes acabou por ser resumido em um aforismo (pequena máxima ou afirmação sobre determinado assunto) 
Provas
1. Coloque V para Verdadeiro e F para Falso nas afirmativas abaixo referentes ao Mito e à Filosofia. 
( ) Do mito foram dadas as mais diversas interpretações, das quais as principais são: mito-verdade e mito-fábula. Para a primeira interpretação, os mitos são as únicas explicações das coisas que a humanidade, nos seus primórdios, estava em condições de fornecer e nas quais acreditava firmemente. Para a segunda interpretação, eles são representações fantasiosas nas quais ninguém jamais acreditou, muito menos seus criadores. 
( ) Os primeiros que consideraram os mitos como simples fábulas foram os filósofos gregos. A eles se juntaram mais tarde os Padres da Igreja, os escolásticos e a maior parte dos filósofos modernos. 
( ) Sobre o nascimento da filosofia, os historiadores distinguem quatro grandes períodos na história da sociedade grega: 1. Período homérico; 2. Período da Grécia arcaica ou dos Sete Sábios; 3. Período clássico; 4. Período helenístico. 
( ) Das análises feitas pelos estudiosos de nosso tempo, segue-se que o mito exerceu, entre os povos antigos, três funções principais: religiosa, social e filosófica. 
( ) O mito procede, mediante a representação fantástica, a imaginação poética, a intuição de analogias, sugeridas pela experiência sensível; permanece, pois, além do logos, ou seja, além da explicação racional. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. 
A) V, V, V, F, V. 
B) F, F, V, V, F. 
C) V, V, F, V, V. 
     D) V, V, V, V, F. 
E) V, V, V, V, V. 

2- Tales de Mileto se indaga sobre a totalidade de tudo o que existe, não para se perguntar qual foi a origem mítica do mundo, mas o que na verdade é a natureza. 
Desta forma afirma que o princípio de todas as coisas é: 
a. ( ) o ar. 
b. ( X ) a água. 
c. ( ) a terra. 
d. ( ) o fogo. 
e. ( ) a divindade. 

 3- Além de possuir data e local de nascimento e de possuir seu primeiro autor, a filosofia possui um conteúdo preciso ao nascer. A filosofia nasce como: 
a) Metafísica. 
b) Fenomenologia. 
c) Teogonia. 
      d) Cosmologia. 

4- Além de possuir data e local de nascimento e de possuir seu primeiro autor, a filosofia possui um conteúdo preciso ao nascer. A filosofia nasce como:  
a) Metafísica. 
b) Fenomenologia. 
c) Teogonia. 
      d) Cosmologia. 


05) Historicamente existem duas tendências filosóficas de análise da relação entre os mitos e a filosofia grega. Uma, representada especialmente por John Burnet, fala do milagre grego, enfatizando a ruptura radical da filosofia em relação à mitologia, não apenas da cultura grega, mas da mitologia em geral. A outra tendência, representada especialmente por Francis Cornford, fala de uma transição gradual e multifacetada do mito à filosofia. Tendo estas duas tendências em vista, analise as afirmativas abaixo sobre a relação histórica e filosófica entre mito e filosofia:
I. a filosofia grega, a começar pelos pré-socráticos, representa o surgimento consciente de uma atitude teórica marcada pela racionalidade.
II. a filosofia nunca teve qualquer relação com o mito que precede e envolve seu nascimento no mundo grego pré-socrático.
III. a filosofia não se diferencia da mitologia.
IV. os filósofos pré-socráticos discutem questões que elaboraram tanto a partir de uma leitura crítica das explicações mitológicas quanto de sua observação racional dos fenômenos naturais.
V. o uso que Platão faz dos mitos mostra que há uma relação entre filosofia e mitologia no pensamento grego ao menos até a época clássica.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I e V são corretas.
B( X ) Somente as afirmativas I, IV e V são corretas.
C( ) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
D( ) Somente as afirmativas III e V são corretas.
E( ) Somente as afirmativas I, III e V são corretas.
Março 

7- Os quatro elementos essenciais para vida (arché): Água , ar terra e fogo

Como já dito anteriormente, Tales de Mileto defendeu o elemento água;  
naxímenes afirmava ser o ar a sua substância primária, a partir da qual todas as outras coisas eram feitas. Heráclito recebeu o nome de filósofo do fogo, por que defendia a idéia de que o agente transformador é o fogo: ele purifica e faz parte do espírito dos homens. Esses conceitos inspiraram os primeiros cientistas que exploraram na prática a união do material e o imaterial através do fogo: os famosos Alquimistas.
Para ele a água não era o princípio de todas as coisas como defendia Tales, assim como nenhum dos quatro elementos fundamentais: terra, fogo, ar e água. Mas tudo começava com o que ele chama de a-peiron, que é o infinito na qualidade e na quantidade. O a-peiron não surgiu de nada mas existe e não tem fim. E justamente por ser infinito em extensão e profundidade pode gerar todas as coisas. Muitos identificam esse infinito com o divino pois é imortal e não pode ser destruído. Aqui a imortalidade não é somente algo que não tem fim mas também algo que não tem começo. Neste ponto Anaximandro destrói as bases das crenças nos deuses gregos. Estes não tinham fim mas tinham começo, eles nascem em um determinado tempo. Anaximandro no entanto não acreditava em nenhum Deus. Para ele as sequências de se criar desenvolver e destruir eram fenômenos naturais que aconteciam quando a matéria abandonava e se separava do a-peiron. O a-peiron era a realidade inicial e final de todas as coisas e por consequência continha em si toda a natureza divina.
O ar é infinito e se identifica também com a alma. Ele anima o corpo do homem e também todo o mundo. O Ar está em movimento eterno e possui vida. O mundo todo pode ser visto como um enorme animal que respira e a respiração é que lhe dá vida. E como a respiração é que lhe dá a vida, ela é a sua alma. É do ar que nasce todas as coisas presentes, todas as coisas do passado e as do futuro. Incluindo os deuses. É no ar que começa o movimento de todas as coisas.

Um dos exemplos que o filósofo encontra para sustentar suas teorias de rarefação e condensação é o de como o ar sai da nossa boca: se assoprarmos com os lábios mais apertados e com força o ar sai frio e se soltamos o ar com a boca bem aberta ele sai quente. O que muda portanto é a quantidade e a pressão que se imprime sobre o ar. Da mudança destas situações é que vão se originar todas as coisas.

Desta forma tudo o que existe são diferentes formas de ar que é o que forma tudo. O ar sob a influência do calor se expande aumentando seu volume e sob a influência do frio se contrai diminuindo seu volume. Tudo vai depender se é o calor ou o frio que vai predominar.
570 a.C.: Nasce PITÁGORAS. O real se reduz a números ou combinações de números. Nasce XENÓFANES de Colofão
Pitágoras era de Samos, uma ilha do mar Egeu na costa da Ásia Menor, na época pertencente à Grécia. Pitágoras mudou-se para Crotona, na atual Itália e ali fundou uma escola filosófica que muito se assemelhava a um culto religioso ou seita fechada somente para iniciados. A biografia deste filósofo é envolta por lendas e relatos de outros escritores pois tudo o que dele sabemos deve-se ao que foi transmitido oralmente não tendo deixado nada escrito. 
A Escola Pitagórica santificava a vida. Eles também se interessavam por diversas questões filosóficas e tinham profundo interesse intelectual sobre diversas questões. Dentre essas questões destaca-se a matemática a aritmética  a geometria e a música. Eles criaram relação da matemática com assuntos abstratos como a justiça, desenvolvendo assim um misticismo em torno dos números. Os números constituíam a essência de todas as coisas. O mundo era governado pelas mesmas estruturas matemáticas que governam os números pois eles simbolizavam a harmonia. Essa harmonia ou ordem eles perceberam analisando os astros e a natureza. Para eles o cosmos é organizado através de uma ordem matemática e a prova disso são os movimentos perfeitos das estrelas, as mudanças de estações e a alternância entre o dia e a noite. Assim como o dia e a noite, existem diversos opostos no mundo, o que concilia a oposição entre eles é o princípio da harmonia e o princípio da harmonia é regido pelos números.

Pitágoras foi quem criou a palavra "Filósofo"


11- Empédocles de Agrigento, que tentou conciliar as teorias de Heráclito e Parmênides, afirmando que havia quatro elementos básicos: a terra, o ar, o fogo e a água. A transformação vista por Heráclito seria a combinação entre esses elementos, e não as suas transformações.
Os quatro elementos da filosofia de Empédocles criam as coisas quando se unem e quando se separam destroem o que existia quando estavam unidos. A amizade ou o amor é a força cósmica que une os elementos e o ódio ou a discórdia causam a desunião e a consequente separação dos elementos. O destino é que alterna a predominância das duas forças que atuam sobre os quatro elementos em um tempo constante. Quando o amor ou a amizade é mais forte os elementos se juntam em uma unidade.  E ao contrário, quando o mais forte é o ódio ou a discórdia os elementos se separam e voltam a ser unicamente água, terá, fogo ou ar. 

Empédocles sustenta ainda uma teoria sobre a evolução dos seres vivos. Para ele no princípio havia numerosas partes de homens e animais - pernas, olhos, orelhas - que estavam distribuídas desordenadamente. Através do amor essas partes se juntavam  aleatoriamente formando criaturas disformes que eram inviáveis para sobreviver e pereciam. As espécies que formavam uma boa combinação sobreviviam.
 
Sentenças:
- O sol, uma seta aguda. A lua do olho claro. O mar, suor da terra. A noite solitária e cega.
- Os iguais se reconhecem.
- Sobrevive o que for mais capacitado
- O mundo evoluiu da água por meios naturais.
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                   Dos séculos VII a III a.C. ocorreu o nascimento da Filosofia na Grécia.
Questão (2) -
Os primeiros filósofos eram chamados de naturalistas por buscarem respostas as nossas
dúvidas na natureza. Alguns filósofos se destacaram por apontar uma única substância
como princípio fundamental, ou elemento fundamental para explicar o mundo. Relacione
os filósofos abaixo aos elementos que eles apontaram como princípio fundante:
I - Tales de Mileto (624-546 a.C.)
II - Anaxímenes (585-528 a.C.)
III - Heráclito (570-490 a.C.)
IV - Empédocles (492-432 a.C.)
( III    ) Fogo
(    II ) Ar
(  I   ) Água
(   IV  ) Terra

 2- Empédocles quer resolver o problema da articulação entre o ser imóvel com a cambiante multiplicidade das coisas. Quer resolver este problema por meio dos quatro elementos: água, fogo, terra e ar. Esta é a primeira vez que aparecem formalmente os quatro elementos tradicionais. Sobre eles Empédocles dirá que são raízes de todas as coisas. 
Para explicar o movimento, ou seja, que a partir das quatro raízes se engendrem e pereçam todas as coisas, ele introduz outros dois elementos: 
a. ( X ) amor e ódio. 
b. ( ) teoria e prática. 
c. ( ) paixão e repulsa. 
d. ( ) inteligência e amor. 
e. ( ) poesia e pensamento. 

1 - O que favorece o aparecimento da filosofia na Grécia antiga? 
1. A condição geográfica. 
2. O fato de Atenas estar em pleno desenvolvimento político-cultural. 
3. A invenção da moeda, do calendário e do alfabeto. 
4. As discussões políticas em praça pública e no senado.
 5. O fato de Platão e Aristóteles terem nascido lá. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente os itens 1, 2 e 3 são verdadeiros.
b) Somente os itens 1, 3, 4 e 5 são verdadeiros. 
c) Somente os itens 2, 4 e 5 são verdadeiros. 
    *d) Somente os itens 1, 2, 3 e 4 são verdadeiros. 
e) Os itens 1, 2, 3, 4 e 5 são verdadeiros. 


Abril  
Xenófanes escreveu em versos sua oposição às ideias de Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Chegaram até nós diversos de seus versos e de suas idéias filosóficas. Delas podemos destacar seu combate ao antropomorfismo (atribuir aos deuses formas e sentimentos humanos) que ele expressa especialmente contra os poemas de Homero e Hesíodo. Ele dizia que se os animais tivessem o dom da pintura eles iriam pintar seus deuses com formas animais. "Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo aquilo que para os homens é objeto de vergonha e baixeza: roubar, praticar adultério e enganar-se...  os mortais consideram que os deuses nasceram, e que possuem roupas, vozes e corpos como os seus...  os Etíopes acreditam que seus deuses possuem narizes achatados e que são negros; e os Trácios que os seus deuses possuem olhos azuis e cabelo vermelho... mas se os bois, cavalos e leões tivessem mãos e soubessem desenhar... os cavalos desenhariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, os bois semelhantes a bois." Ele queria com isso mostrar que o verdadeiro deus é único, absoluto e tem pouca semelhança com os homens, com seus pensamentos ou com as diversas representações feitas dele. Esse deus único é diretamente ligado ao cosmos, ele tudo vê, pensa e ouve e com a força do seu pensamento faz tudo vibrar, ele está sempre no mesmo lugar e não se move pois não é próprio de um deus estar hora em um lugar e depois noutro.

Xenófanes era de Colofão mas viajou por diversos lugares das colônias gregas itálicas. Ele recitava seus poemas como um filósofo andarilho, além de criticar o antropomorfismo ele defendia a sabedoria e os prazeres vividos socialmente mas sem excessos. Ele era um pensador independente e acreditava que da terra é que surgiam as coisas. A terra é o princípio das coisas que são feitas de terra e água, inclusive o homem.

Moralmente o filósofo destaca como superiores os valores da inteligência e da sabedoria sobre os valores da força física, que era muito valorizada pelos gregos da época e tinha no atleta o seu representante. Para Xenófanes o que torna melhor os homens e as cidades (polis) em que eles vivem é a força da inteligência e da sabedoria. Tudo vem da terra e para ela volta.
  • 530 a.C.: Nasce PARMÊNIDES de Eléia. O vir a ser é pura aparência: o ser é imóvel. 
Parmênides de Eléia (530 - 460 a.C)

Parmênides é um filósofo que expôs seus pensamentos através da poesia em estilo homérico, mas nem por isso deixa de usar rigorosos argumentos dedutivos em suas colocações. Parmênides é o fundador da escola de Eléia e despertou grande admiração de Platão.

Dos seus poemas restaram-nos 154 versos e eles dividem-se em três partes. A primeira é uma introdução onde ele coloca como chegou às suas revelações. O filósofo conta a sua viagem imaginária pela morada da deusa da justiça que o conduzirá ao coração da verdade. A deusa mostra a Parmênides o caminho da opinião que conduz à aparência e ao engano e o caminho da verdade que conduz à sabedoria do ser. Cada um desses caminhos será tratado nas duas  partes seguintes.

Na segunda parte ele argumenta que o que é é diferente do que geralmente os homens supõem que seja. Nessa parte, intitulada Caminho da Verdade (alétheia), ele coloca o que a razão nos diz e ele faz isso através da metafísica dedutiva. Começa por premissas que ele acredita serem verdadeiras e dedutivamente ele chega a conclusões que também devem ser verdadeiras. Seus argumentos lógicos reconstruídos podem ser expressos da seguinte forma:
1 - Ou algo existe ou algo não existe.
2 - Se é possível pensar em algo, esse algo pode existir.
3 - Nada não pode existir.
4 - Se podemos pensar em algo esse algo não é nada.
5 - Se podemos pensar em algo esse algo tem quem ser alguma coisa.
6 - Se podemos pensar em algo esse algo tem que existir.
Na sequencia Parmênides expõe que somente nos resta dizer que esse algo é, pensar ou dizer que esse algo não é é impossível. Esse algo que é tem portanto obrigatoriamente que ser incriado e imperecível.

Na terceira parte, intitulada Caminho da Opinião (doxa), sobre a qual não podemos ter nenhuma certeza, ele faz uma descrição de como ele vê o mundo. Para ele essa sua descrição é falsa e enganosa pois é simplesmente o resultado de uma ordenação de palavras, mas essa ordenação é a melhor coisa que os homens podem fazer, sendo portanto a melhor descrição apresentada. Aqui ele expõe as crenças das pessoas simples. São conjuntos de teorias físicas como o dualismo entre o limitado e o ilimitado, que ele relaciona com a luz e as trevas, fazendo da realidade física uma mistura e uma luta entre esses dois elementos. É através dessa divisão que ele ordena as qualidades. Na comparação entre a luz e a escuridão, a escuridão é a negação da luz. Diferenciou as qualidades da natureza em positivas e negativas tomando por base outros opostos como vida e morte, fogo e terra, masculino e feminino, quente e frio, ativo e passivo, leve e pesado. Assim para ele nosso mundo se divide em duas esferas, as de qualidade positiva (luz, vida, fogo, masculino, quente, ativo, leve) e as de qualidade negativa (escuridão, morte, terra, feminino, frio, passivo, pesado). As qualidades negativas são uma negação das qualidades positivas e Parmênides utiliza os termos "não ser" para o negativo e "ser" para o positivo.

Parmênides via as mudanças físicas que ocorrem no mundo como uma mistura onde participam o ser e o não ser, resultando  num vir a ser. A mistura é feita pelo desejo e quando o desejo é satisfeito o ser e o não ser novamente se separam. O filósofo conclui assim que a mudança é uma ilusão. Somente existem o ser e o não ser, o vir a ser é portanto uma ilusão dos nossos sentidos.

A filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a aparência. A aparência é percebida pelos sentidos que nos mostram o ser e o não ser e nos levam a diversos erros. Já a verdade somente pode ser buscada pela razão, que para Parmênides demonstra que não podemos pensar o não ser, pois não podemos pensar sem que esse pensar seja sobre algo. Pensar sobre nada é não pensar da mesma forma que dizer nada é não dizer. Somente podemos pensar e expressar o que pensamos através de um objeto e esse objeto já é algo, já é um ser. Ele conclui que o ser é e não pode não ser e através dessa ideia ele expressa sua principal tese filosófica que vai dirigir toda sua investigação racional. Ele cria assim os principais fundamentos da ontologia que é vista como metafísica pois o ser não é somente o ser da natureza, mas também o ser do homem e das suas ações, e mais ainda, é o ser de qualquer coisa que possa ser pensada.

Sentenças:
- O ser é e não pode não ser.
- O pensamento e o ser são a mesma coisa.
- O ser é imóvel porque se se movesse poderia vir a ser e então seria e não seria ao mesmo tempo.

  • Anaxágoras (500 - 428 a.C.)
    Anaxágoras concordava com a ideia de que o não ser não pode existir e que a substância do ser é imutável. Para ele o nascer e o morrer não são acontecimentos reais. Nada nasce ou morre, o que acontece é que as coisas que existem se decompõem e se compõem novamente. As coisas que morrem estão se decompondo e as coisas que nascem estão se compondo, se construindo.

    Para a filosofia de Anaxágoras as coisas que existem vão além dos quatro elementos colocados por Empédocles. As quatro raízes que formam as outras coisas, terra, ar, água e fogo não conseguem explicar as diversas qualidades através das quais os fenômenos se manifestam. Anaxágoras defende a ideia de que existem inúmeras sementes das quais vem todas as coisas. O número de sementes que fundamentam e criam as coisas é do mesmo número das coisas e elas são inumeráveis como inumeráveis são as manifestações dos fenômenos no mundo. Essas sementes não são criadas - são eternas -  e são imutáveis, elas são de todas as formas, de todos os gostos e de todos os tipos. Nenhuma dessas sementes de qualidades se transforma em outras sementes. As sementes são também infinitas na quantidade. Elas não podem ser limitadas em sua grandeza ou na sua pequenez. Elas podem ser divididas ao infinito sem nunca deixar de ser pois o não ser não existe. Assim podemos dividir qualquer semente, qualquer substância ao infinito sem que ela perca a sua qualidade. As partes divididas das sementes terão sempre a mesma qualidade que tinham antes de ser divididas.

    No começo todas as sementes estavam juntas e não eram distintas uma das outras. O que separou as sementes foi a Inteligência que através de um movimento ordenou o caos existente entre as substâncias. Dessa forma todas as coisas são uma mistura ordenada das sementes e em todas as coisas existem todas as sementes mesmo que em pequenas quantidades. O que vai definir que uma coisa seja o que é vai ser a predominância de determinada semente ou de outra. Em todas as coisas existem sementes de todas as outras coisas. No grão de trigo existe a semente do cabelo, da carne e do osso, caso contrário como da semente do grão de trigo poderia surgir o cabelo, a carne e o osso? Tudo sempre esteve e sempre vai estar no ser.

    A Inteligência (ou Nous que também pode ser traduzido por mente, pensamento ou espírito) que dividiu as sementes é divina, ela é ilimitada, independente e não está misturada a nada. Essa Inteligência divina é sutil, pura, tem pleno conhecimento de tudo e tem uma força imensa. A Inteligência domina as coisas que tem vida. Ela deu o impulso inicial na rotação que distribuiu ordenadamente todas as outras coisas. Nada se forma ou se divide se não for através da Inteligência.

    Anaxágoras estudou também o problema do conhecimento humano e desenvolveu sobre o conhecimento uma ideia original. Ele divide o conhecimento em três estágios: 1 - a experiência e a sensação; 2 - a memória e 3 - a técnica. A experiência é o tópico central para o conhecimento humano, sem ela nenhum conhecimento seria possível. A experiência é a nossa relação com o mundo e implica na nossa sensibilidade para sentirmos as modificações dos objetos externos. O que nós vivenciarmos através das sensações vai ser depositado na nossa memória que é a nossa capacidade de conservar as experiências e os conhecimentos adquiridos. O acúmulo dos conhecimentos em nossa memória vai gerar a sabedoria e a sabedoria vai gerar a técnica que é a nossa capacidade de utilizar os conhecimentos para construir objetos e modificar a natureza.

    Sentenças:
    - Tudo está em tudo.
    - Em cada coisa há parte de cada coisa.
    - Não há um grau mínimo do pequeno mas há sempre um grau menor, sendo impossível que o que é deixe de ser por divisão. Mas também do grande há sempre um maior. E o grande é igual ao pequeno em composição. Considerada em si mesma, toda a coisa é a um tempo pequena e grande.
    - A fraqueza dos nossos sentidos impede-nos de alcançar a verdade.
    - Tudo tem uma explicação natural. A lua não é uma deusa, mas um grande globo de rocha e o sol não é um deus mas um imenso mundo em fogo.
    - Prefiro uma gota de sabedoria a toneladas de riqueza.
    - Medimos a grandeza de uma ideia pela resistência que ela provoca.


    • Diógenes de Apolônia (viveu século V a.C.)

    • Diógenes de Apolônia (499 - 428 a.C )
      É considerado o último dos filósofos pré-socráticos, defende o monismo, ou seja, a unidade da realidade como um todo porque se o mundo tiver origens em diversos elementos que sejam diferentes entre si eles não poderiam se misturar e atuar uns sobre os outros. As coisas devem se originar através da transformação de um mesmo elemento. Para Diógenes esse elemento é o que ele chama de ar infinito que é um elemento inteligente. Esse ar inteligente administra e governa tudo e se assemelha com Deus pois está em todas as partes, utiliza-se de todas as coisas e está dentro de tudo.

      Não existe nada que não tome parte desse ar inteligente e nenhuma coisa participa dele na mesma medida que outra coisa. Existem muitas formas desse ar e dessa inteligência. Ele pode ser mais quente ou mais frio, mais seco ou mais úmido, mais parado ou mais em movimento. Ele pode também se modificar infinitamente através dos prazeres e das cores.

      As almas de todos os animais são feitas da mesma coisa, um ar mais quente do que aquele fora de nós mas mais frio do que aquele que está perto do sol. O que difere os animais é o calor das almas que é um pouco diferente em cada um, umas são mais quentes e outras mais frias, mas todos vivem, ouvem e veem  por resultado do elemento ar e da sua inteligência.

      A nossa alma é um ar pensante que enquanto vivemos e respiramos se manifesta, mas quando o último ar sai de nós através do último suspiro, morremos.

      Diógenes vai explicar os mais diferentes fenômenos a partir desse ar infinito e consciente. O ar se condensa, se rarefaz e sofre mutações de qualidade, produzindo as outras coisas em suas formas. Ele escolhe o ar como fundamento pois esse se adapta bem às mudanças o que não acontece com a terra que dificilmente se move ou muda.

      Sentenças:
      - A terra é redonda, está ao centro, suportada pelo ar. O sol é uma espécie de pedra pomes.
      - Nada procede do não ser, e nada se resolve no não ser.
      - Me parece, que todos os entes são diversificações de um só e são um só.
      - E isto é bem claro: porque, se os que agora existem neste mundo, - a terra, a água, o ar, o fogo e todos os mais que aparecem neste mundo, - fosse cada um diferente do outro, diferente por sua própria substância, e não um mesmo ente que de muitas maneiras muda e se diversifica, de nenhum modo poderiam eles misturar-se uns com os outros, nem ajudar-se ou prejudicar-se entre si.
          Não poderia a planta surgir da terra, nem o animal, nem outra coisa poderia nascer, se não estivessem de tal modo constituídos que fossem o mesmo.
          Todos estes entes, uma vez que se diversificam a partir de um só, se tornam diferentes em circunstâncias diversas e retornam ao mesmo.
      - Para quem começa um discurso é necessário que exiba um começo sem disputas e uma explanação simples e sóbria.
      - O ar é o princípio de todas as coisas. Existem mundo infinitos e infinito é também o espaço. O ar produz os mundos ao condensar-se e rarefazer-se. Nada procede do não ser, e nada se resolve no não ser.
    • Filolau de Crotona (século V a.C.)
    • Zenão de Eléia (cerca de 495 a.C. - 430 a.C.)
    • Zenão de Eléia (489 - 430 a.C)
      Sabemos pouco sobre a vida de Zenão de Eléia e dos seus pensamentos foram conservados poucos fragmentos. Das suas concepções conhecemos algumas coisas graças sobretudo ao que contêm nos diálogos platônicos Parmênides, no livro Vida dos Filósofos de Diógenes Laércio e nos escritos de Física de Aristóteles.

      Ele é conhecido sobretudo pelos paradoxos formulados basicamente sobre a tese da impossibilidade do movimento que hoje são conhecidos como paradoxos de Zenão. Seguindo as pegadas de seu mestre Parmênides, através da dialética, ele tenta afirmar a teoria da imutabilidade do ser reduzindo ao absurdo o seu contrário. A tese contestada por Zenão é a tese dos Pitagóricos que acreditam na multiplicidade do ser em relação ao seu número. Contesta também a tese de Anaxágoras, seu contemporâneo.

      Zenão foi discípulo de Parmênides e coloca a serviço de seu mestre seus conhecimentos lógicos inventando vários argumentos com o objetivo de desacreditar os críticos da visão de mundo exposta por Parmênides, com quem visitou Atenas e conheceu Sócrates.

      Os paradoxos mais famosos de Zenão são os que buscam demonstrar a inexistência do movimento.  Eles são descritos por Aristóteles nos seus estudos sobre Física. O método de Zenão consiste em assumir como certas as hipóteses das teses dos seus adversários e partindo dessas hipóteses ele chega a conclusões contraditórias e inaceitáveis, buscando assim desacreditar os argumentos de seus antagonistas.

      Dos paradoxos, ou aporias (estradas sem saída), criadas por Zenão o mais famoso é o de Aquiles (um dos mais fortes e rápidos guerreiros gregos) e a tartaruga. Mesmo sendo um rápido corredor Aquiles não poderá jamais numa corrida ultrapassar uma lenta tartaruga que está correndo à sua frente pois ao se aproximar da tartaruga esta já percorreu um certo espaço, quando Aquiles percorre esse espaço, a tartaruga percorreu outro espaço menor, quando Aquiles percorre essa segunda distância, a tartaruga já andou um percurso menor ainda e assim sucessivamente em movimentos infinitos e cada vez menores. Conclusão de Zenão: Aquiles pode se aproximar cada vez mais da tartaruga, mas não a ultrapassa jamais. Um argumento similar a esse é o da dicotomia (divisão por dois): Quando existe um movimento de um corpo de um ponto A em direção a um ponto B, antes do corpo atingir B ele deve percorrer metade do caminha entre A e B, depois deve chegar até a metade da metade do caminho de A a B e assim o corpo segue numa divisão infinita entre as duas distâncias sem nunca chegar ao ponto B como ilustrado abaixo.
      A--------------------A1----------A2-----A3-----B

      A dicotomia demonstra a impossibilidade do movimento porque quando alguma coisa se move ele deve chegar primeiro ao estágio intermediário antes de chegar à sua meta. Por exemplo, suponhamos que um objeto se move de A a B, para chegar ao ponto B o objeto deve antes atingir o ponto intermediário B1, mas antes de chegar a B1 deve chegar ao ponto B2 que é a metade da distância entre A e B1,  para chegar a B2 também deve antes chegar ao ponto B3. Esse movimento vai ao infinito demonstrando que o movimento não pode ser iniciado conforme ilustra a figura abaixo:
      A-----B3-----B2----------B1--------------------B
      Estes paradoxos expostos por Zenão se baseiam sobre o conceito de divisão infinita do espaço, segundo essa divisão podemos decompor o espaço em um número infinito de pontos. Ele igualava o espaço real e físico ao espaço abstraído pela nossa mente. O filósofo não fazia distinção entre esses dois planos. Para ele o plano ideal do nosso pensamento era diretamente relacionado à realidade, criando assim uma relação confusa entre o espaço físico e o espaço geométrico. A visão virtual da geometria é diretamente relacionada com a matéria física, criando assim os paradoxos.

      540 a.C.:Nasce HERÁCLITO de Éfeso. O real é puro vir a ser. 
      Heráclito (540 - 470 a.C.)
      Heráclito era de Éfeso, na atual Turquia. Ele pertenceu à nobreza pois sua família era descendente do fundador da cidade. Pode ser que por esse motivo ele desprezava o povo simples e nunca interferiu na política. Desprezou também os antigos poetas, os filósofos de sua época e a religião.

      Era contemporâneo de Parmênides. É conhecido pelos seus escritos não muito claros, especialmente em sua obra Acerca da Natureza onde aparecem diversas sentenças breves em forma de prosa.

      Ele observa  o constante devir das coisas, o mundo está em um perpétuo fluxo. O mundo inicia com uma substância, essa substância explica o devir constante através de si próprio. Para ele essa substância é o fogo, que não é algo corpóreo, mas ativo, com inteligência e foi criado. Qualquer mudança que ocorre no mundo se dá através do fogo. O que está mudando ou está indo ao fogo ou está voltando. Esse fluxo eterno é um processo dialético. Para ele a dialética é inicialmente o raciocinar de uma direção à outra. Ela é própria do objeto a que se observa, mas está também no sujeito que observa. Heráclito tenta com isso fundar e buscar a dialética como começo.

      Heráclito consegue com o devir trazer um grande avanço para a filosofia. Com o devir a filosofia deixa de ser estática e passa a contemplar também o movimento. O movimento para o filósofo de Éfeso é o próprio princípio.

      Para  Heráclito o Ser é o único. É nele que tudo começa e após ele temos o devir. Desta forma ele é o primeiro filósofo a utilizar a especulação para fazer filosofia. Para fazer especulações filosóficas ele utiliza a pesquisa e através da pesquisa busca alcançar clareza para os pressupostos da filosofia. A própria natureza da filosofia impõe que ela seja feita através da pesquisa e a especulação é necessária porque essa natureza gosta de se esconder. A natureza não entrega seus fundamentos de forma fácil. Alcançar seus conhecimentos é uma busca difícil para os filósofos e impossível para a maioria dos homens.

      Os filósofos vão além da esperteza demonstrada por alguns indivíduos que aparentam saber muitas coisas mas não alcançam a verdadeira inteligência. A verdadeira inteligência dos filósofos vai se dedicar a estudar os diversos objetos mas buscando sempre colocá-los em uma unidade.

      Além do mundo o homem  deve examinar a si próprio. Na pesquisa o filósofo pode encontrar diversas respostas diretas e claras a respeito do mundo. Mas ao pesquisar a si próprio o homem vai encontrar uma profundidade infinita de conhecimentos a serem descobertos. Quanto mais nos aprofundamos em nós mesmos mais percebemos que somos mais profundos. Essa descoberta de nós mesmos jamais termina. A razão última do que sou vai sempre estar fora do meu alcance, quanto mais conhecimento tenho de mim mesmo mais percebo que tenho outros conhecimentos a conhecer sobre mim mesmo. Esse processo cada vez mais profundo e cada vez mais íntimo de conhecer a mim mesmo não tem fim.

      Outro rumo que as pesquisas filosóficas devem tomar, além do mundo e de si mesmo, é também sobre a nossa relação com os outros. Buscar a essência da nossa relação com os outros é mais um dos objetivo da filosofia pois estamos ligados aos outros através de uma comunidade natural. O filósofo deve buscar a razão, a essência da natureza que nos liga a nós mesmos, ao mundo e aos outros. Esta razão da natureza é a lei que tudo regula, regula o homem, regula a relação entre os homens e regula a natureza externa. Esta lei é o ser do mundo e este ser é que vai se revelar na pesquisa filosófica.

      Ter essa atitude filosófica é para Heráclito uma opção constante que os homens tem que fazer. É semelhante à opção de estar acordado ou dormindo, entre fechar-se em si em seu pensamento e abrir-se à comunicação consigo mesmo, com os outros e com o mundo objetivo. Quem está dormindo se isola como indivíduo. Quem está acordado vai pesquisar além das aparências e pode alcançar o mais profundo da própria consciência, da relação com os outros e a essência da lei única de todas as substâncias que coordena o mundo. Esta opção entre estar dormindo ou acordado para o mundo é a opção que pode levar o homem à esperteza ou à sabedoria, ela determina também qual será o caráter do homem, que é o que vai definir o seu destino.

      A pesquisa para Heráclito deve clarear e aprofundar o significado e também o seu contrário. O que fundamenta e cria tudo não é uma unidade totalizante mas nela coexistem e são necessários os contrários. Para entender o fundamento de tudo é necessário juntar o completo e o incompleto. É a união dos opostos que vai gerar a unidade da mesma forma que da unidade vão ser gerados os opostos. A diferença entre os opostos constitui um significado essencial e racional da própria diferença. Com essas teorias ele funda também a dialética.

      Heráclito não percebe a unidade como harmonia, como sendo a síntese dos contrários, um ponto onde as divergências das oposições se anulam. È a unidade que permite a existência dos contrários. A diferença é uma unidade porque é uma relação e a relação só é possível entre contrários. Se as diferenças forem anuladas, anula-se também a unidade. Deus também é identificado com essa relação entre os contrários, entre os opostos, que apesar de mudarem constantemente continuam existindo e tem a capacidade de conter em si a unidade.

      Sentenças:
      - Não podemos entrar duas vezes no mesmo rio.
      - A doença faz da saúde algo agradável e bom.
      - O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.
      - Os que procuram ouro escavam muita terra, mas encontram pouco metal.
      - Procurei-me a mim mesmo.
      - Tu não encontrarás os confins da alma, caminhes o quanto caminhares, tão profunda é ela.
      - Este mundo, que é o mesmo para todos, não foi criado por qualquer dos deuses ou dos homens, mas foi sempre, é e será fogo eternamente vivo que ordenadamente se acende e regularmente se extingue.
      - Se não esperares, não irás achar o inesperado, porque ele não se pode achar e é inacessível.
      - É necessário seguir o que é comum a todos porque o que é comum é geral.
      - São iguais, os vivos e os mortos, os que estão acordados e os que dormem, os jovens e os velhos: porque cada um destes opostos quando se transformam tornam-se o anterior.
      - A luta é a regra do mundo e a guerra é que cria todas as coisas.

      Questão (06) - Questão 06-. A vida pode ser comparada a uma ampulheta que se esvazia
      vagarosamente até findar com o conteúdo nela colocado; ou ainda com um relógio de ponteiros,
      onde o ponteiro de segundos pode ser comparado com os passos da morte que se aproxima.
      Julgue os itens em ( C ) ou (E):
      a) ( E ) O texto refere-se ao Apeíron de Anaxágoras.
      b) ( E ) O texto refere-se aos Números de Pitágoras.
      c) ( C ) O texto refere-se ao vir–a-ser de Heráclito.
      d) ( E) O texto refere-se ao Ser de Parmênides.


Prova

 1. Além dos pitagóricos, a Magna Grécia viu surgir outra manifestação filosófica fundamental: a escola eleática. Com eles a filosofia adquire um nível e um grau de profundidade que antes não tinha. 
O principal filósofo dessa escola foi: 
a. ( ) Sócrates. 
b. ( ) Heráclito. 
c. ( X ) Parmênides. 
d. ( ) Anaxímexes. 
e. ( ) Anaximandro. 

500 a.C.: Nasce ANAXÁGORAS. Espiritualismo, o mundo é governado por uma inteligência. 



11) Leia a seguinte passagem de Santo Agostinho:
"Incorre em erro a alma quando se identifica tanto a essas imagens [exteriores], e, levada por tal amor, vem a considerar-se da mesma natureza que elas." (A trindade) Conforme o pensamento de Santo Agostinho, analise as afirmativas abaixo derivadas do trecho citado:
I. o amor nunca nos engana.
II. o erro deve-se à ação da própria alma.
III. o erro acontece quando a alma se identifica com coisas exteriores a ela.
IV. a alma erra porque, no pecado original, foi abandonada por Deus.
V. a alma erra porque faz parte da natureza.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( X ) Somente as afirmativas II e III são corretas.
B( ) Somente a afirmativa V é correta.
C( ) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
D( ) Somente a afirmativa II é correta.
E( ) Somente a afirmativa III é correta.

12) Analise as afirmativas abaixo sobre a importância que Santo Agostinho atribui à memória. Mas o que é o mais importante a ser lembrado?
I. Nossa infância.
II. Nosso eu.
III. O pecado original.
IV. Deus.
V. Nossas imagens externas.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I e II são corretas.
B( ) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
C( ) Somente a afirmativa II é correta.
D( ) Somente a afirmativa III é correta.
E(X ) Somente a afirmativa IV é correta.

13) Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo.
Segundo Santo Agostinho, através de qual procedimento podemos descobrir a verdade?
A( ) Pela experiência empírica.
B( ) Pelo diálogo ecumênico.
C( X ) Pela iluminação interior.
D( ) Pela ação do Demiurgo.
E( ) Pela dedução transcendental das categorias.

14) Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo.
A quem os historiadores da filosofia, Gilson e Boehner, atribuem a seguinte afirmação sobre a justificação racional da existência de Deus: "A partir da experiência obtém-se a ideia de ser supremo que, sendo eterno, também deve ser necessário; e, como tal, não pode ser pensado como não existente."?
A( ) Santo Agostinho.
B(X ) Santo Anselmo de Cantuária.
C( ) Santo Tomás de Aquino.
D( ) Santo Alberto Magno.
E( ) Averróis.

15) A respeito daquilo que Santo Tomás de Aquino pensa sobre a relação entre fé e razão, através da correlação entre teologia e filosofia, assinale a alternativa CORRETA.
A( ) A filosofia pode contestar a teologia.
B(  ) A teologia, de acordo com a filosofia, determina Deus como uma ideia reguladora da razão.
C( ) A teologia tem de se subordinar à filosofia.
D( ) Não há nenhuma relação entre fé e razão.
E( X) A fé orienta a razão.

Maio

2º Trimestre

Empédocles de Agrigento (484 - 421 a.C.)
Para a filosofia de Empédocles o nascer e o morrer não existem se entendermos o nascer e o morrer como um vir do nada e um ir para o nada. Ele pensa dessa forma porque acredita que o ser é e o não ser não é. Assim não existe o nascimento e a morte de algo. Para ele o que chamamos de nascimento e morte é simplesmente a aproximação e a separação de algumas substâncias. Essas substâncias são indestrutíveis e eternamente iguais. Para Empédocles a água, o ar a terra e o fogo são as substâncias que estão no princípio de todas as outras coisas. Elas são as substâncias mais simples das quais derivam todas as outras, são os elementos básicos que não mudam nunca sua qualidade. As quatro substâncias básicas se unem e se separam umas das outras formando todas as substâncias existentes. Elas são a origem das restantes.

Os quatro elementos da filosofia de Empédocles criam as coisas quando se unem e quando se separam destroem o que existia quando estavam unidos. A amizade ou o amor é a força cósmica que une os elementos e o ódio ou a discórdia causam a desunião e a consequente separação dos elementos. O destino é que alterna a predominância das duas forças que atuam sobre os quatro elementos em um tempo constante. Quando o amor ou a amizade é mais forte os elementos se juntam em uma unidade.  E ao contrário, quando o mais forte é o ódio ou a discórdia os elementos se separam e voltam a ser unicamente água, terá, fogo ou ar.

Tanto os elementos como as forças que atuam sobre eles são divinos. Deus é o Esfero, a união de todos os elementos através do amor ou da amizade. Na fase em que o amor domina todos os elementos eles vão estar ligados em perfeita harmonia. Nessa fase não existe o sol a terra ou o mar, mas uma unidade de tudo que Empédocles denomina como sendo o Esfero. As almas também são constituídas pelos elementos e sofrem a ação das forças do amor ou da amizade e do ódio ou da discórdia. Ao contrário do domínio do amor no domínio do ódio existe a dissolução dos elementos e forma-se assim o caos. Quando o caos está instalado os elementos começam novamente a se unificar começando um novo ciclo.

Para que o mundo exista devem existir tanto o elemento positivos quanto o negativo, pois se existir somente o amor ou a amizade todos os elementos vão se reunir e formar uma unidade compacta, vão formar uma única coisa. E ao contrário se toda a força for do ódio ou da discórdia os elementos ficarão completamente separados, fazendo também com que o cosmos não exista.

Portanto as coisas do mundo passam a existir no período de transição que vai do predomínio do amor ao predomínio do ódio. Assim o cosmos nasce e se destrói continuamente dependente e através da ação das duas forças sobre os elementos. Não existe um momento em que a constituição do cosmos possa ser considerada perfeita.

Empédocles pensava que dos poros das coisas saíam emanações que atingem os nossos órgãos de sentido. Assim as partes que são semelhantes nos nossos órgãos  e nas coisas vão se reconhecer. O que for fogo em nossos sentidos vai reconhecer as emanações que vem do fogo, o que for regido pela água vai reconhecer as emanações que vem da água. Somente com nossa visão acontece o contrário, nela as emanações partem dos olhos mas da mesma forma essas emanações vão reconhecer nas coisas o que lhe for semelhante.

Para Empédocles nosso conhecimento está no coração e o veículo que transporta esse conhecimento é o sangue. O conhecimento assim não acontece somente no homem. Os conhecimentos que o homem pode ter são também limitados. Ele somente consegue perceber uma pequena parte de sua vida, as coisas que por acaso ele tem a possibilidade de se relacionar. Por isso ele não pode desperdiçar nenhuma dessas possibilidades. Deve aproveitar e utilizar todos os seus sentidos e através do intelecto perceber as evidências nas coisas que conhece.

Empédocles sustenta ainda uma teoria sobre a evolução dos seres vivos. Para ele no princípio havia numerosas partes de homens e animais - pernas, olhos, orelhas - que estavam distribuídas desordenadamente. Através do amor essas partes se juntavam  aleatoriamente formando criaturas disformes que eram inviáveis para sobreviver e pereciam. As espécies que formavam uma boa combinação sobreviviam.
  
Sentenças:
- O sol, uma seta aguda. A lua do olho claro. O mar, suor da terra. A noite solitária e cega.
- Os iguais se reconhecem.
- Sobrevive o que for mais capacitado
- O mundo evoluiu da água por meios naturais.
Melisso de Samos

Sobre Melisso temos hoje alguns fragmentos do seu livro Sobre a Natureza ou Sobre o Ser. Ele, como Zenão, aprofundou e defendeu as teorias de Parmênides. Melisso escreve de forma clara é dedutivamente rigoroso em seus argumentos. Ele sistematizou e escreveu basicamente sobre as doutrinas e preocupações dos Eleatas, mas também modificou em alguns pontos as teorias destes. Essas correções acabaram tendo um peso notável na história da reflexão sobre o ser.

Para Melisso o ser deveria ser infinito - Parmênides dizia que o ser devia ser finito. Melisso defende o ser infinito porque ele não pode ter limites nem no tempo nem no espaço. Se o ser fosse finito ele teria que fazer limite com o vazio, o vazio é um não ser e é impossível que o ser seja limitado pelo não ser. O ser além de ser infinito é uno porque se fossem dois um deveria fazer limite com o outro e fazer limite significa limitar e o ser não pode ser limitado por outra coisa, mesmo outro ser. O ser não pode ter sido gerado pois se tivesse sido gerado ou se pudesse ter fim o ser seria finito no tempo, o ser seria limitado pelo tempo. O ser não pode ter vindo do nada nem pode acabar no nada, não pode ter início nem fim, ele vai além do tempo, nele o presente o passado e o futuro coincidem. O ser sempre foi é e sempre será.

O ser é também incorpóreo, mas esse incorpóreo não quer dizer que ele seja imaterial, ele tem que ser incorpóreo porque não pode ter uma forma e os corpos têm forma. Se o ser tivesse uma forma ele teria que ser limitado pois a forma tem limites e o ser não pode ter limites. Aqui Melisso novamente modifica a teoria de Parmênides, pois este acreditava que o ser era como uma esfera. O ser de Melisso não pode ter a aparência corpórea de uma esfera porque mesmo a esfera põe limite no ser e o ser é ilimitado. O ser é pleno e qualquer forma de vazio e nada não existem.

Melisso além de defender a unidade do ser defende também a imobilidade do ser contra a ilusão do mundo sensível que se apresenta como múltiplo e em constante movimento. O conhecimento sensível é falso e a prova disso é que ele demonstra ao mesmo tempo a coisa e a sua modificação mas se as coisas fossem verdadeiras elas não modificariam.

O ser não pode ter forma, não é composto de partes, se apresenta infinito no espaço e no tempo, é sempre idêntico a si mesmo. Os atributos fundamentais do ser são portanto unidade, completude e imobilidade.

A propósito da natureza inalterável do ser ele desenvolveu o argumento do cabelo segundo o qual se o ser fosse modificado em dez mil anos mesmo que de um só cabelo ele teria se auto destruído porque ele teria se tornado um outro na eternidade, mesmo que seja em pequena medida.

Sentenças:
- Se nada é, que coisa podemos dizer disso, como se fosse alguma coisa.
- Sempre foi aquilo que sempre será. Porque se tivesse não sido seria necessário que antes de nascer fosse nada. Mas se era nada, do nada não poderia ter nascido.
- Mas como sempre foi assim se torna necessário que seja sempre infinito em grandeza.
- Aquilo que teve princípio e fim não é nem eterno nem infinito.

Responsável - Arildo Luiz Marconatto

460 a.C.: Nasce DEMÓCRITO. Atomismo. Materialismo.

Demócrito (460 - 371 a.C.)
Para Demócrito é impossível o não ser. O ser é pleno, o não ser é o vazio.
As coisas nascem quando se juntam e a morte é a separação das coisas. O que origina as coisas reais é um infinito número de corpos que são invisíveis porque tem um volume muito pequeno. Esses corpos são os átomos que em grego significa não divisível. Eles não são divisíveis porque se fossem divisíveis ao infinito eles iriam se dissolver no vazio. Os átomos são naturalmente indestrutíveis, não criados e imutáveis. Os átomos não se diferenciam quanto à qualidade, todos eles são igualmente um ser completo, o que os diferencia é a forma ou a figura geométrica que eles assumem. São diversos entre si como as letras do alfabeto, mas podem formar diversas palavras e discursos através das suas combinações.

O átomo tem uma forma originária e única. A forma do átomo também é indivisível. O que diferencia um átomo dos outros é a sua figura, a sua posição e a sua organização. Esses três elementos que distinguem um átomo do outro podem assumir variações infinitas. Os nossos sentidos não conseguem perceber o átomo, mas a nossa inteligência consegue conhece-los. Eles são eternamente contínuos o por isso diferente dos outros corpos que são a junção de diferentes e diversos átomos. A qualidade de todos os corpos depende da forma e da ordem dos átomos que os compõem.

Os átomos possuem qualidades próprias como movimento, número, dureza e forma, mas cor, sabor, odor, calor e frio são aparências que provocam sensações em nossos sentidos mas não pertencem aos átomos. Os átomos provocam essas essas qualidades objetivas devido à suas combinações.

Os átomos são espontaneamente animados, eles se chocam ou se ricocheteiam entre si, gerando o nascimento a morte ou a mudança das coisas. As leis que regem o movimento dos átomos são imutáveis. O movimento dos átomos é giratório e eles ao girar chocam-se em todas as direções produzindo um vértice, nesse movimento as partes mais pesadas vão para o centro e as mais leves vão para a periferia. No movimento vertical os átomos mais pesados descem empurrando os átomos mais leves para cima. Através desse movimento são gerados infinitos mundos que se criam e se dissolvem também infinitamente.

O conhecimento também é explicado através desse movimento. A imagem que emana do átomo produz nas pessoas uma sensação, essas sensações são percebidas através do tato que é gerado pelo contato dos átomos com o corpo das pessoas. Mas mesmo com essas possibilidades para Demócrito nosso conhecimento ainda é limitado. Além de limitado o conhecimento modifica de pessoa para pessoa e vai depender também das circunstâncias. Esse conhecimento não nos dá um critério incontestável para definirmos a verdade e a falsidade. Podemos chegar a um conhecimento mais aprofundado dessa realidade utilizando o conhecimento racional que é uma ferramenta mais sensível que possuímos. Através do conhecimento racional pode ser distinguida a aparência da realidade.

A Ética
A concepção de ética em Demócrito não tem relação com as suas concepções físicas. Para ele o mais nobre bem que o homem pode alcançar é a felicidade. Essa felicidade não está no possuir as coisas, na riqueza. A felicidade mora somente na alma. A justiça e a razão é que nos tornam felizes. Somente através da razão vamos conseguir superar o medo da morte. Os excessos perturbam a alma do homem pois geram nele movimentos muito fortes. Os excessos geram movimentos de um extremo ao outro criando a inconstância e o descontentamento no homem. A alegria espiritual não está ligada ao prazer que não é em si mesmo um bem. O que é realmente necessário vai vir do belo. Devemos respeitar a nós mesmos antes de qualquer coisa.

Demócrito condenava o matrimônio porque este se fundamenta nas relações sexuais e as relações sexuais reduzem o domínio que o homem tem de si mesmo. Condenava o casamento também porque a educação dos filhos diminui a dedicação ao trabalho.

Sentenças:
- Fama e riqueza sem inteligência não são posses seguras.
- A palavra é uma sombra das ações.
- O homem é um pequeno mundo.
- Para mim um homem vale tanto quanto uma multidão e uma multidão tanto quanto um homem.
- É sinal de alma elevada suportar os excessos dos outros.
- Quem cede diante do dinheiro não será jamais um homem justo.
- O ignorante pensa sempre que não tem o que ele não conheça.
- Tudo que existe no universo é fruto do acaso e da necessidade.
- Não por medo, mas por obrigação, temos que nos distanciar dos erros.
- É adequado cedermos diante da lei, diante do governante e diante do mais sábio.
- Para persuadirmos muitas vezes a palavra é mais funcional do que o ouro.
- Muitos dos que cometem as ações mais vergonhosas argumentam com as melhores razões.
- Em matéria de virtude é necessário esforçar-se por fatos e atitudes e não por palavras.
- A quem tem um jeito de ser ordenado a sua vida resulta ser ordenada.
- É arrogância querer falar de tudo e não querer ouvir nada.
- Viver não vale a pena para quem não tem um bom amigo.
- A música é a mais jovem das artes, porque não é feita por necessidade, mas surge do supérfluo.
- O melhor para o homem é passar a vida o mais contente e o menos aflito possível. Isso seria possível se os prazeres não se baseassem em coisas passageiras. 
- Os homens em sua fuga da morte a vai perseguindo.
- Uma vida sem festas é um longo caminho sem repouso.
- Discreto é aquele que não se aflige com o que não tem, mas se alegra com o que tem.
- Nada existe além de átomos e do vazio.
- O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade enquanto o homem a ignora



16) Segundo Santo Tomás de Aquino, há cinco vias que mostram a existência de Deus.
Assinale qual das alternativas descreve CORRETAMENTE estas cinco vias.
A(X ) Os argumentos: do primeiro motor; sobre a primeira causa eficiente; sobre o existente necessário; sobre os graus do ser; sobre o fim supremo de todas as coisas.
B( ) Os argumentos: da iluminação interior; sobre a primeira causa eficiente; sobre o primeiro motor; sobre o fim supremo de todas as coisas; sobre os graus do ser.
C( ) Os argumentos: sobre a iluminação interior; sobre a dialética da Ideia do Bem; sobre a causalidade necessária; sobre a hierarquia dos seres; sobre a eternidade.
D( ) Os argumentos: sobre a hierarquia dos seres; sobre a iluminação interior; sobre a dialética da Ideia de Bem; sobre o primeiro motor; sobre a ideia inata de Deus.
E( ) Os argumentos: sobre a Ideia transcendental de Deus; sobre a causalidade necessária; sobre a eternidade; sobre a iluminação interior; sobre o fim supremo de todas as coisas.

17) Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo.
No contexto da polêmica dos universais, de quem é a conhecida tese ontológica: "O ser é unívoco em relação a tudo."?
A( ) Santo Agostinho.
B( ) Santo Tomás de Aquino.
C( ) William de Ockham.
D(X ) Duns Scotus.
E( ) Avicena.

18) Um importante filósofo da política do fim do medievo escreveu no capítulo VII de seu livro intitulado Defensor Pacis:
"Há dois gêneros de governos, um equilibrado e outro viciado. Com Aristóteles, chamo de bem equilibrado o gênero em que o governante zela pelo bem comum, de acordo com a vontade dos seus súditos; o gênero viciado é o que apresenta falha, deste ponto de vista. Cada um dos gêneros se divide, em seguida, em três espécies: o equilibrado, em monarquia real, aristocracia e politia; o viciado, nas três espécies opostas, que são a monarquia tirânica, a oligarquia e a democracia."
Assinale a alternativa CORRETA em que aparece o nome do autor desta obra.
A(X ) Marcílio de Pádua.
B( ) Sigério de Brabante.
C( ) William de Ockham.
D( ) Santo Tomás de Aquino.
E( ) Duns Scotus.

19) Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que representa a formulação CORRETA do preceito metodológico chamado "navalha de Ockham", diretamente ligado à discussão do problema dos universais.
A( ) Deve-se multiplicar as entidades quando necessário.
B( ) As entidades não se multiplicam desnecessariamente.
C( X) Não se deve multiplicar as entidades sem necessidade.
D( ) A multiplicação das entidades é necessária.
E( ) As entidades multiplicadas são necessárias.

20) Muitos pensadores importantes da filosofia medieval discutiram o problema dos universais e defenderam concepções específicas sobre o mesmo. Analise as afirmativas abaixo sobre o problema e as concepções que procuram respondê-lo.
I. O nominalismo afirma que somente os particulares têm existência real e que os predicados universais só têm existência mental.
II. O realismo afirma que somente os universais têm existência real e que os particulares, ao contrário, não têm nenhum tipo de existência.
III. O conceitualismo é o nome dado à posição, segundo a qual, os universais não são nem realidades ao lado dos indivíduos, nem são apenas palavras arbitrárias (flatus vocis), mas que têm existência mental enquanto conceitos que podem denotar propriedades reais que os particulares possuem em comum.
IV. Mesmo sendo um problema explicitamente discutido e formulado no contexto da filosofia medieval, este problema se vincula diretamente ao pensamento de Platão e Aristóteles.
V. Rosselin e Ockham são defensores do realismo.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
B( X) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
C( ) Somente as afirmativas II, III e V são corretas.
D( ) Somente as afirmativas III, IV e V são corretas.
E( ) Somente as afirmativas I, IV e V são corretas. 

Os Sofistas 

480 a.C.: Nasce PROTÁGORAS, Sofística: ceticismo; fenomenismo; 

Protágoras de Abdera (480 - 411 a.C.)
A base da filosofia de Protágoras está na máxima "O Homem é a medida  de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são." Para ele medida significava juízo e as coisas são os fatos e as experiências das pessoas. Com essa máxima Protágoras tinha por objetivo negar um critério absoluto para distinguir o ser do não ser. O critério para a diferenciação torna-se o homem, cada homem. Ele explica melhor "Tal como cada coisa se apresenta para mim, assim ela é para mim, tal como ela se apresenta para você, assim ela é para você." O vento que sopra é frio ou quente? A resposta vai depender de cada pessoa, para algumas vai estar frio e para outras vai estar quente, dessa forma ninguém vai estar errado e a verdade vai estar em cada sujeito e no que ele pensa sobre sua experiência.

Se os homens são a medida de todas as coisas, por consequência, nenhuma medida pode ser a medida para todos os homens. As coisas assim vão ser definidas pelas pessoas que as definem, o que vale para determinada situação não vai valer para outras. As coisas vão ser conhecidas particularmente por cada indivíduo.

Protágoras ensinava também técnicas e métodos para  tornar um argumento fraco em um argumento forte. Ele ensinava a aptidão de fazer sobressair um ponto de vista sobre um ponto de vista contrário. Os homens tem em si a faculdade de julgar com justiça, a função do sofista é fazer com que eles expressem essa capacidade.

Para ele as coisas são portanto relativas aos indivíduos e aos seus pareceres. Não existe uma verdade absoluta assim como não existem padrões morais absolutos, o que existem são coisas mais oportunas, úteis e convenientes. A pessoa sábia vai ser aquela que consegue distinguir o que é mais vantajoso e decente para cada situação. O sábio vai conseguir também convencer os outros a reconhecer essa qualidade superior e fazer com que eles a ponham em prática.

Protágoras afirmou também que em relação aos deuses ele não poderia afirmar se existem ou se não existem pois muitas coisas o impediam de fazer tais afirmações, ele considerava o assunto obscuro e a vida breve para se achar uma resposta para a questão. Mostrava-se agnóstico nas suas crenças pois o divino vai além da capacidade humana de compreensão dessa experiência sendo o homem limitado em seu saber. Para ele era possível criarmos argumentos tanto a favor como contra a existência dos deuses.

Ele dizia ainda que os sábios e os bons oradores deveriam guiar através de conselhos as outras pessoas.

Sentenças:
- Sobre qualquer questão existem dois argumentos contrários entre si.
- Sobre os deuses não posso saber se existem ou se não existem.
- Das coisas belas umas são belas por natureza e outras por lei, mas as coisas justas não são justas por causa da natureza, os homens estão continuamente disputando pela justiça e a alteram também continuamente.
- Toda a vida do homem tem necessidade de ordem e de adaptação.



485 a.C.: Nasce GÓRGIAS. 

Górgias (485 - 380 a.C)
Górgias para fundamentar sua filosofia toma por base o niilismo, a descrença por razão principal, onde nada existe de absoluto, onde não existem verdades morais e nem hierarquia de valores. A verdade não existe, qualquer saber é impossível e tudo é falso porque é ilusório.

Seu niilismo baseias-se em três tópicos, primeiro na não existência do ser, existe somente o nada. O ser não é uno, não é múltiplo, nem incriado e nem gerado, por conseguinte o ser é nada. Segundo, mesmo que o ser existisse ele não poderia ser conhecido pois se podemos pensar em coisas que não existem é porque existe uma separação entre o que pensamos e o ser, o que impossibilita o seu conhecimento. E terceiro, mesmo que pudéssemos pensar e conhecer o ser nós não poderíamos expressar como ele é porque as palavras não conseguem transmitir com veracidade nada que não seja ela mesma. Quando comunicamos, comunicamos palavras e não o ser.

O filósofo destrói dessa forma a possibilidade de alcançarmos a verdade absoluta. Nossa razão somente pode iluminar as situações em que os homens vivem mas não tem a capacidade de formular regras absolutas. Podemos somente analisar a condição em que nos encontramos e expor o que devemos ou não fazer e mesmo o que devemos ou não fazer muda muito dependendo da situação em que nos encontramos. Uma mesma atividade pode ser boa ou ruim dependendo de quem a pratica e em que situação se encontra.

Como não existe uma verdade absoluta e a falsidade está em tudo as palavras assumem uma autonomia quase sem limites pois estão desligadas do ser. As palavras são independentes e estão disponíveis para os mais diversos usos. Um dos principais usos é a retórica que utiliza a palavra para sugerir, para fazer crer e para persuadir os cidadãos. A retórica tem assim grande utilidade para a política. As palavras têm também grande expressão na poesia que diferente da retórica não tem interesses práticos, mas artísticos. Frente ao drama da vida a única consolação é a palavra que adquire valor próprio porque não exprime a verdade mas a aparência. A palavra cia um mundo perfeito onde é belo viver. A palavra exprime da melhor forma as paixões que direcionam a vida dos homens.
  
Sentenças:
- Assim como a visão não conhece os sons, o ouvido não ouve as cores, mas os sons. Quem fala expressa bem um som, mas não pode falando expressar uma cor ou uma experiência.
- A poesia é um discurso com métrica e quem a escuta é invadido por um arrepio de estupor, uma compaixão que arranca lágrimas, um ardente desejo de dor e pelo efeito das palavras a alma sofre seu próprio sofrimento ao ouvir a sorte ou o azar de fatos e pessoas estranhas.
- Se é eterno não teve princípio, se não tem princípio é infinito, se é infinito não está em nenhum lugar, se não está em nenhum lugar não existe.
- Mesmo que as coisas sejam elas não são conhecíveis.
- O artista é um criador de mundos.



Questão (21) - O homem é a medida de todas as coisas é uma frase de :
a) Melisso
b) Górgias
c) Sócrates
  d) Protágoras



junho 

470 a.C.: Nasce SÓCRATES. Direciona a Atitude Filosófica para o homem. Conhece-te a ti mesmo. Sei que nada sei. 399 a.C.: Sócrates condenado à morte em Atenas. 

Sócrates (470 - 399 a.C.)
Sócrates não fundou uma escola como diversos outros filósofos. Era um pregador que ensinava em locais públicos e não escreveu nada de seus pensamentos. Suas ideias chegaram até nós através dos escritos dos seus discípulos, principalmente Platão que faz de Sócrates porta voz de muitas de suas ideias, sendo difícil separar o pensamento dos dois. O mesmo ocorre com os outros autores que escreveram sobre Sócrates.

O Conhecimento do Homem
Ele acreditava na imortalidade da alma e que ele próprio recebeu em sua vida uma missão do deus Apolo para que ele defendesse o Conhece-te a Ti Mesmo. Dessa forma a filosofia torna-se um incessante exame de si e dos outros colocando o homem e os seus problemas como centro dos interesses da filosofia. A sabedoria passa a ter como objeto de pesquisa o homem. A Sabedoria Humana é o quanto o homem pode saber sobre o próprio homem. Sócrates busca responder a questão de qual é o ser, a natureza última, a essência do homem. A essa pergunta Sócrates responde que o homem é a sua alma, e a alma do homem é a sua razão. A alma do homem é a sua consciência. A alma é o que dá ao homem a sua personalidade intelectual e moral. Cuidar de si mesmo é cuidar da própria alma mais do que do corpo. O educador tem assim por tarefa ensinar os homens a cuidar da própria alma. Sócrates considerava-se um educador e como tal tinha por tarefa ensinar as pessoas a cuidar da alma mais do que do corpo e das riquezas. Ele buscava a virtude e a virtude não nasce da riqueza nem do culto ao corpo, tão próprio dos atenienses da época. O corpo tem que ser um instrumento da alma, da sabedoria. Conhecer a si mesmo é conhecer a própria alma.

A missão de Sócrates é conhecer a realidade humana, investigar o homem e a sua alma. A filosofia deve levar o homem a conhecer a si mesmo, conhecer os seus limites, as suas possibilidades. Busca a justiça e a solidariedade. A relação do homem com ele e com os outros e a relação dos outros com ele. Para ele o limite de sua sabedoria era a sua própria ignorância ? Só sei que nada sei. Os erros que cometemos em nossa vida são culpa da nossa  ignorância. Não se proclamava sábio e tentava fazer com que as pessoas se sentissem ignorantes e que admitissem a sua ignorância e fazia isso através do perguntar e do questionar, Sócrates tanto fez isso que conquistou diversas inimizades.

A Virtude
Para Sócrates as pessoas deveriam concentrar os seus esforços em serem virtuosos, para si mesmos, para seus amigos e para a comunidade a que pertencem pois a virtude deve ser conquistada também pelo grupo humano, pela polis. Esse é um dos motivos pelo qual não fugiu da sua sentença de morte, acreditava que fugir da sua comunidade e da sentença que ela lhe impôs era deixar de ser virtuoso e isso era ir contra todos os seus princípios.

Para os gregos a virtude era a qualidade essencial que faz do ser o que ele é, assim é virtuoso o homem que tenta ser bom e perfeito utilizando a razão e o conhecimento para atingir esse objetivo porque essas qualidades são próprias do homem. O contrário da virtude é o vício que é caracterizado basicamente pela ignorância que é a ausência da razão e do conhecimento.

O melhor modo do homem virtuoso viver segundo Sócrates é buscando o desenvolvimento da sua razão e do seu conhecimento e não buscando riquezas materiais que geralmente desviam o homem do caminho da virtude. A virtude é o bem mais precioso que a pessoa pode ter. Os reais valores não estão ligados ao que é exterior ao homem como a fama o poder e a riqueza, nem aos atributos do corpo como a beleza e o vigor físico mas nos atributos da alma que são caracterizados principalmente pelo conhecimento. Os outros valores quando estiverem ligados ao conhecimento também podem ser virtuosos.

O homem para ser virtuoso não precisa renunciar aos prazeres, a virtude deve levar o homem a uma vida perfeita  não a negação dessa vida.

A Maiêutica
É a forma encontrada por Sócrates para fazer com que as pessoas através da interrogação feita de forma organizada e direcionada cheguem ao conhecimento. A Maiêutica é um estímulo para a pesquisa, através dela ele buscava fazer "parir" nas pessoas as ideias, os conhecimentos. Ele próprio se declarava sem sabedoria e não criou nenhuma organização metodológica e doutrinal. Era o parteiro das ideias nos outros e não podia parir conhecimentos em si mesmo.

Através da Maiêutica a pessoa que parece ignorante pode achar em si conhecimentos que desconhecia ter, Sócrates somente ajuda a pessoa nessa pesquisa, mas não lhe ensina nada.

Política
Sócrates era contrário a aristocracia democrática, defendia que a república deveria ser governada por filósofos. Pensava também que em algumas situações os tiranos podem até ser mais legítimos que a democracia. Os filósofos seriam os perfeitos governadores do estado pois somente eles tem a capacidade de entender os mais profundos conhecimentos.

Religião
Ele não era ateu mas afirmava que acreditava em uma divindade particular, filha dos deuses tradicionais que ele chamava daimonion que era um ser inferior aos deuses mas superior aos homens. Mesmo assim ele era contra os deuses nos quais a cidade acreditava.

Sócrates se dizia atormentado por essa voz divina interior que ele ouvia não tanto para o indicar a pensar e agir, mas para o dissuadir de fazer determinada ação.

Para ele os cultos religiosos devem fazer parte da vida de todos os cidadãos. Aconselha as pessoas a que sigam os cultos e aos costumes da sua cidade. Os deuses são a expressão do princípio divino. Esse princípio divino pode trazer aos homens o supremo bem que é a virtude. A religião pra Sócrates é a sua filosofia. Seu Deus é a inteligência que pode conhecer todas as coisas e que pode também ordenar essas coisas.

Sentenças
- Eu digo cidadãos que me haveis matado, que uma vingança recairá sobre vós, logo depois da minha morte, bem mais grave do que aquela pela qual vos vingastes de mim, matando-me. Hoje, vós fizestes isso na esperança de que vos tereis libertado de ter que prestar contas de vossa vida. No entanto, vos acontecerá inteiramente o contrário: eu vo-lo predigo. Não serei mais somente eu, mas muitos a vos pedir contas.
- Você sabe onde se vende peixe? Sim, no mercado. E sabe aonde os homens se tornam virtuosos? Não. Então me siga.


Questão (3) 

                   O criador do método de aprendizagem chamado de maiêutica (ou parto
das idéias) dizia ser necessário assumir que o conhecer é uma constante construção de
idéias. Ele viveu por volta do ano 400 a.C. Ele foi condenado à morte por envenenamento
com cicuta. É dele a famosa frase SÓ SEI QUE NADA SEI. Qual o nome deste filósofo?
a) Platão
          b) Sócrates
c) Aristóteles
d) Paulo Coelho

Questão (4)

                  Apesar de não acreditar que sejamos capazes de encontrar, um famoso
filósofo grego afirmava que a verdade nasce quando o pensador se dá conta, em suas
viagens investigatórias, de que todo saber que pensava possuir não tem qualquer
verdade. Assim, ele descobre a mais verdadeira verdade, o saber que nada sabe. Este
pensador criou método de aprendizagem chamado de maiêutica (ou parto das idéias). Ele
dizia ser necessário assumir que o conhecer é uma constante construção de idéias. Viveu
por volta do ano 400 a.C., e foi condenado à morte por envenenamento com cicuta. Sua
mais famosa frase, SÓ SEI QUE NADA SEI, garante-lhe um lugar na calçada dos maiores
pensadores do mundo,. Qual o nome deste filósofo?
a) Platão
b) René Descartes
     c) Sócrates
d) Paulo Coelho





julho 
440 a.C.: Nasce ANTÍSTENES. Fundador da Escola cínica. 
430 a.C.: Nasce PLATÃO. Realismo ontológico. Teoria das Idéias. 

"É impossível que a massa seja filósofa" (República, VI, 8, 494a).

Platão (430 - 347) a.C.

           Platão em sua filosofia determinou algumas das ideias centrais do pensamento ocidental como as ideias políticas que aparecem nos escritos Diálogos e na República, nas teorias psicológicas que expõe em Fedro, na cosmologia de Timeu e na filosofia das ciências abordas na obra Teeteto.
            Platão fundou a Academia de Atenas, escola onde estudou Aristóteles. Escreveu sobre diversos temas como epistemologia, metafísica, ética e política. Em seus diálogos um dos personagens frequente é Sócrates de quem Platão foi discípulo. Em muitos momentos é difícil dividir o pensamento dos dois filósofos.
            Em seus diálogos Platão utiliza diversos personagens históricos como Górgias, Parmênides e Sócrates para através de suas falas expor suas teorias filosóficas. Uma de suas teorias mais conhecidas é a das Ideias em que afirma que o mundo que conhecemos através dos cinco sentidos, o mundo sensível, é um mundo imperfeito e falho, mera sombra do real mundo das ideias. O Mundo das Ideias é muito superior ao mundo sensível. O mundo que sentimos é somente uma cópia apagada do mundo das ideias pois as ideias são únicas e imutáveis e as coisas do mundo sensível estão constantemente mudando. Esse pensamento aparece no livro República e é conhecida como Mito da Caverna. Para Platão a única forma para conhecermos a realidade inteligível é através da razão pois os nosso sentidos podem nos enganar.
Ele divide o mundo em três partes, na primeira estão os objetos perceptíveis pelos sentidos. Na segunda estão as coisas que não podem ser percebidas pelos sentidos mas podem ser entendidos pelo espírito humano como a matemática e a geometria. Na terceira parte de sua divisão Platão coloca as ideias superiores como a virtude e a justiça que somente podem ser conhecidas pela inteligência através da utilização de outras ideias.
            Platão escreveu ainda sobre diversos assuntos como a melhor forma de governo e sobre o Estado, para ele a sociedade deveria ser dividida em três partes que correspondem e se relacionam com a alma dos indivíduos. A primeira parte é a vontade ou o apetite e corresponde aos trabalhadores braçais. A segunda parte é a do espírito e é relacionada aos guerreiros e aventureiros que tem que ser destemidos, fortes e espirituosos. A terceira parte é reservada aos filósofos e aos governantes, é a parte da razão e é reservada aos inteligentes e racionais, qualidades essas mais apropriadas para indivíduos que vão tomar decisões representando toda sociedade. É portanto a razão e a sabedoria que devem governar, os filósofos devem governar como reis ou os reis devem ser filósofos para governar com racionalidade.
            Em seu escrito A República Platão descreve a maneira que se pode passar de um regime político a outro e classifica os regimes de governo em cinco formas: 1- O governo dos filósofos ou aristocracia que ele define como o governo dos mais capazes. Esse é para ele o regime perfeito pois corresponde ao ideal do filósofo rei que reúne poder e sabedoria em uma só pessoa. Esse regime é seguido por quatro regimes imperfeitos: 2- A timocracia, regime fundamentado sobre a honra; 3- Oligarquia, fundamentado sobre a riqueza; 4- Democracia que se fundamenta sobre a ideia de igualdade e 5- Tirania que se funda no desejo do tirano e representa o fim da política porque nele são abolidas as leis.
            Sobre Epistemologia Platão elabora a teoria da reminiscência segundo a qual aprender é recordar-se. Para ele as ideias são imutáveis, eternas, incorruptíveis e não criadas, estas ideias estão hospedadas no hiperurânio que está localizado num mundo suprasensível. Esse mundo é parcialmente visível para as almas que estão desligadas do próprio corpo. Quando nossa alma estava desligada do nosso corpo ela viu e conheceu as ideias do hiperurânio e quando entraram novamente em um corpo, reencarnando-se, nossa alma esqueceu a visão que teve das ideias. O trabalho do filósofo é fazer com que as pessoas recordem dessas ideias através do diálogo. Mas é impossível aos seres humanos conhecer completamente o mundo das ideias que é acessível somente aos desuses, o melhor conhecimento a que os humanos conseguem atingir é o conhecimento filosófico, o amor pelo saber e a incansável busca da verdade. Para Platão o homem tem necessidade de conhecimento e ele não teria necessidade de conhecimento se não tivesse visto nunca esse conhecimento. O homem busca o conhecimento porque ele não o tem mais, porque ele o perdeu.
O mito é uma forma de conhecimento inferior à filosofia porque é baseado sobre a intuição que não tem como ser demonstrada. E a ciência é um saber inferior porque necessita ser demonstrada e porque é baseada sobre hipóteses, mas na falta de conhecimentos melhores mesmo o mito e a ciência são conhecimentos que podem ser utilizados pelos filósofos para alcançar as ideias. O único conhecimento que o filósofo não pode aceitar é a opinião.
            Na questão ética Platão liga beleza e bondade, tudo aquilo que é belo é também verdadeiro e bom e vice-versa. É a beleza das ideias que atraem a inteligência do filósofo e o bem, também por ser belo, atrai a sabedoria.
            O amor para Platão é uma forma de delírio divino que se manifesta no afeto à uma pessoa a um objeto ou até mesmo à uma ideia. Esse afeto é acompanhado da ideia de que a satisfação desse desejo pode ser uma forma de elevar a existência. Ele distingue o amor através das suas diferentes finalidades condenando o amor carnal e exaltando o amor pela sabedoria que é expresso pela filosofia que contempla o verdadeiro belo. O amor é o desejo de beleza e ela é desejada porque ela é o bem que torna as pessoas felizes. A primeira beleza que aparece é a beleza do corpo, em seguida vem a beleza de todos os corpos, acima dela está a beleza da alma que é inferior à beleza das leis e das organizações humanas, acima dela está a beleza das ciências e acima de tudo está a ideia de beleza, é a beleza em si que é eterna e fundamenta todas as outras belezas. O amor é ainda insuficiência pois ele deseja qualquer coisa que não tem e ele deseja essa coisa porque ele precisa dessa coisa e se ele precisa de algo é porque ele é imperfeito.
            Outro ponto importante da filosofia de Platão é a questão da justiça pois para ele nenhuma sociedade pode manter-se sem justiça. A justiça é o que fundamenta o estado e ela acontece quando os cidadãos pertencentes a um estado cumprem a tarefa que pertence a cada um deles. A justiça é o que une o estado, ela é a união do indivíduo com o estado. Para que o estado seja justo devem ser cumpridas duas condições, a primeira é a eliminação da riqueza e da pobreza e a segunda é o fim da vida familiar dando às mulheres igualdade de participação no estado. Os filhos seriam criados pelo estado que assim seria uma única e grande família.
            Platão acreditava que o papel do filósofo é amar conhecer todas as coisas e não somente algumas coisas e somente é possível conhecer as coisas que são pois o que não é, não é também cognoscível. O ser é a ciência que é o verdadeiro conhecimento e o não ser é a ignorância. A opinião é o meio termo entre o conhecimento e a ignorância. A arte imitativa, como a pintura e a poesia, são condenáveis por serem somente ilusões. A pintura representa uma imitação de uma pequena parte da aparência dos objetos e a poesia vai representar somente uma parte da alma que são as emoções. Ambas são imitações incompletas e de pouco valor.

Sentenças :
- Buscando o bem de nossos semelhantes encontramos o nosso.
- Cada lágrima nos ensina uma verdade.
- Quando a multidão exerce a autoridade, ela é mais cruel do que os tiranos.
- Existe somente um tipo de virtude, de maldades existem muitos tipos.
- Onde reina o amor, sobram as leis.
- O corpo é a prisão da alma.  
- O homem sábio vai querer estar sempre com quem seja melhor que ele.
- Aquele que aprende e não pratica o que sabe é como o que ara e não semeia.
- Frio e enfadonho é o consolo que não vem acompanhado de algum remédio.
- A conquista própria é a maior das vitórias.
- Filosofia é a ciência dos homens livres.
- Liberdade é ser dono da própria vida.
- A música é para a alma o que a ginástica é para o corpo.
- A pobreza não vem da diminuição das riquezas, mas da multiplicação dos desejos.
- Os amigos se convertem com frequência em ladrões do nosso tempo.
- Um dos castigos por recusarmos a participar da política é que seremos governados por homens inferiores a nós.
- Não conheço um caminho infalível para chegar ao sucesso, mas existe um caminho seguro para o fracasso: querer contentar a todos.
- Somente os mortos viram o fim da guerra.
- Uma vida sem pesquisa não é digna de ser vivida pelo homem.


As distinções entre ser, como sinônimo do que é verdadeiro, e devir, como o que é aparente, começam a surgir já no pensamento pré-socrático. Estas distinções são desenvolvidas de um modo peculiar por Platão e Aristóteles, assim como na história das escolas do helenismo (especialmente as escolas epicurista, estóica e cética).
Sobre estas distinções, tal como pensadas no mundo grego, podemos afirmar:
I. a distinção entre ser e devir se torna explícita apenas a partir de Parmênides e Heráclito.
II. a distinção platônica entre sensível e inteligível não se relaciona com a distinção entre verdade e aparência. 
387 a.C.: Platão funda a Academia em Atenas, a primeira universidade do planeta.

Questão (05) - Através do Mito da Caverna, Platão faz analogia do mundo das idéias,
considerado por ele como o mundo perfeito e de verdades absoluto, com o mundo físico
para exemplificar:
      a) Que os homens vivem fundamentados sobre falsas impressões do mundo.
b)A beleza da natureza, como o sol, etc...
c)A angustia do homem diante da questões sociais
d)Que o mundo não tem problemas socioeconômicos.

03) As distinções entre ser, como sinônimo do que é verdadeiro, e devir, como o que é aparente, começam a surgir já no pensamento pré-socrático. Estas distinções são desenvolvidas de um modo peculiar por Platão e Aristóteles, assim como na história das escolas do helenismo (especialmente as escolas epicurista, estóica e cética).
Sobre estas distinções, tal como pensadas no mundo grego, analise as afirmativas abaixo:
I. a distinção entre ser e devir se torna explícita apenas a partir de Parmênides e Heráclito.
II. a distinção platônica entre sensível e inteligível não se relaciona com a distinção entre verdade e aparência.
III. Aristóteles pensa ser e devir como absolutamente distintos aspectos do mundo.
IV. os atomistas e epicuristas afirmam que os átomos são objetos materiais perceptíveis.
V. Heráclito defende a concepção do Logos como princípio e harmonia inteligível do devir.
VI. para os eleatas o ser não se identifica com a aparência.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I, III e VI são corretas.
B( ) Somente as afirmativas II, V e VI são corretas.
C(X ) Somente as afirmativas I e II são corretas.
D( ) Somente as afirmativas II, III, V e VI são corretas.
E( ) Somente as afirmativas I, II, IV e VI são corretas.

04) Ao longo de vários diálogos, Platão discute ou supõe diretamente o que se tornou comum chamar de teoria das Ideias. A partir do conjunto de diálogos em que Platão discute ou supõe diretamente esta teoria podemos depreender um conjunto de afirmações indiscutivelmente verdadeiras sobre teoria das Ideias. Analise as afirmativas abaixo sobre esta teoria:
I. as Ideias não têm nenhuma relação com os entes sensíveis.
II. as Ideias não se relacionam entre si.
III. as entidades matemáticas não são Ideias.
IV. as Ideias são entidades puramente mentais.
V. no diálogo República, a Ideia do bem é determinada como estando além da essência.
VI. ao longo de vários diálogos, Platão usa diversos termos, tais como "forma", "paradigma" e "essência", como sinônimos do termo "Ideia".
VII. para Platão, "Demiurgo" é o nome da divindade que molda o mundo sensível a partir das Ideias.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( X ) Somente as afirmativas V, VI e VII são corretas.
B( ) Somente as afirmativas I, V, e VI são corretas.
C( ) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
D( ) Somente as afirmativas IV, V e VI são corretas.
E( ) Somente as afirmativas I, VI e VII são corretas.


Agosto  
384 a.C.: Nasce ARISTÓTELES. Realismo moderado. Teoria do conceito. 

Aristóteles (384 - 322 a.C.)
    Aristóteles foi um filósofo empirista e fundamentou seus conhecimentos humanos na experiência, uma das suas principais ocupações foi buscar explicações racionais para o mundo que o cercava. As ideias não são transcendentes, mas são imanentes, ou seja, são causas formais das coisas materiais. Divide o ser humano entre corpo e alma, a alma comanda e o corpo é comandado, a alma se serve do corpo e este é um instrumento para a alma. Na alma o que comanda e julga é a razão e o resto por natureza obedece e é comandado. Por consequência a alma é melhor que o corpo, sendo mais preparada para comandar. E na alma a melhor parte é a razão e o pensamento. Mesmo divididos o corpo e a alma não se relacionam através da oposição, mas um colaborando com o outro, o corpo é o instrumento através do qual a alma age, especialmente a parte racional da alma.
    Das coisas que são criadas algumas são criadas pela inteligência como as obras de arte. Outras são criadas pela natureza como os seres vivos e as plantas, a causa dessas coisas é a própria natureza. Outras coisas no entanto são criadas pelo acaso, essas coisas são todas as coisas que não são criadas nem pela arte, nem pela natureza, nem pela necessidade. As coisas criadas pelo acaso não tem finalidade mas as coisas criadas pela arte e pela natureza tem um objetivo. Na natureza as coisas tem uma finalidade e a finalidade do homem é o conhecimento.
    A filosofia é tão boa quanto útil, mas a bondade tem privilégio sobre a utilidade.
    A Ontologia é para Aristóteles a filosofia primeira e tem como seu principal objeto de pesquisa o ser enquanto tal, ele propõe a ontologia como um projeto de ciência com pretensões de universalidade. O ser é tudo aquilo que permanece com substância imutável, é tudo aquilo que fica indiferente às mudanças que ocorrem aos entes. Ente é tudo o que é, é tudo o que existe e esse existir pode ser de diversos modos como são diversas as coisas que existem. Existem 10 categorias que classificam os entes através de suas diferenças: Substância, qualidade, quantidade,  relação, ação, tempo,  lugar,  posição, posse e paixão. Essas 10 categorias segundo Aristóteles permitem a completa classificação dos entes e nenhuma delas está em todos eles.
    A grande preocupação dos filósofos é descobrir a substância das coisa. As substâncias são todas as coisas que existem no mundo e elas estão compostas de matéria e forma. Para explicar a mudança nas coisas Aristóteles sustenta que a matéria é aquilo que não muda, a árvore e a cadeira são feitas de madeira e isso não muda, o que muda é a forma da madeira. Existem dois tipos de substâncias, a principal e a secundária, a principal é relativa a somente um ser, um determinado homem, animal ou planta, a secundária é o que especifica melhor o que é a substância principal. Na frase o sol é uma estrela, sol é a substância primeira, pois é única e estrela é a substância secundária pois é um nome genérico que especifica melhor a essência e a natureza da substância primeira, o sol. As categorias, como não tem vida independente, são acidentes que ocorrem nas substâncias principais. Por exemplo a cor amarela, ela não é uma substância principal pois não tem vida independente, ela depende de outro para existir. Na frase o sol é amarelo, sol é a substância principal e amarelo é um acidente de qualidade da substância sol.
    Ele identificou ainda a matéria como potência e a forma como ato. A potência é a possibilidade de produzir mudança ou de sofrer mudança. O ato já é a existência do objeto, o saber construir algo é a potência, e o ato é a efetiva construção do que se sabe construir. O ato é anterior a potência é também melhor que ela.
    Aristóteles acreditava que a dialética era uma técnica para vencer uma discussão, para fazer prevalecer a minha tese sobre a tese do adversário e isso pode ser feito levando o adversário a se contradizer, mostrando como a sua tese, se for desenvolvida, pode levar a resultados ilógicos e contraditórios com a afirmação inicial da própria tese, considerada como verdadeira. Ele se ocupa ainda da formação dessas afirmações, que são as proposições.
    Uma proposição é uma união de palavras que dão vida a uma afirmação, a um juízo. Uma proposição, uma afirmação ou um juízo podem ser verdadeiros ou falsos dependendo da sua relação de correspondência com a realidade, mas os termos isolados não podem ser nem falsos nem verdadeiros. Os termos sol e preto quando isolados não são nem verdadeiros ou falsos mas a proposição o sol é preto é falso pois não corresponde à realidade. Mas nem todas as preposições são verdadeiras ou falsas: pregações, invocações, ordens,  são preposições relacionadas com a poesia e sobre poesia não podemos fazer julgamentos de veracidade ou falsidade. Aristóteles se ocupa das afirmações e juízos sobre as quais podemos reconhecer a possibilidade de serem falsas ou verdadeiras, a essas afirmações ele chama de proposições categóricas que podem ser qualitativamente afirmativas ou negativas. As preposições categóricas podem ainda ser classificadas quanto à sua quantidade como universais, quando são incluídos todos os pertencentes ao gênero, particulares, quando se refere a uma parte do gênero e singulares, quando se refere a somente um indivíduo. Aristóteles não se ocupa das proposições singulares, preocupando-se somente com as afirmações e negações dos universais ou particulares. Combinando os últimos quatro tipos de proposições temos quatro modelos sobre os quais os filósofos devem ocupar-se: Universais afirmativas, universais negativas, particulares afirmativas e particulares negativas.
    Sobre a amizade o filósofo analisa os seus diversos fundamentos: a utilidade, o prazer e o bem e desses três derivam três tipologias de amizade: amizade por utilidade, por prazer ou por virtude. Para Aristóteles a amizade por utilidade é típica dos velhos, a amizade por prazer aparece mais nos homens maduros e nos jovens, os amigos nessas duas categorias não se amam realmente, mas se relacionam somente pela vantagem que traz a ligação de amizade e por isso esses dois tipos de amizade são frágeis e se criam e dissolvem com facilidade. A única verdadeira amizade é a que tem por base a virtude, ela é estável porque se baseia sobre o bem e é característica dos homens bons. A amizade baseada na virtude pressupõe duas coisas fundamentais: a igualdade entre os amigos, inteligência, riqueza, educação, etc. E o hábito de vida.  A amizade se distingue ainda da caridade e do amor pois a caridade não precisa ser correspondida e no amor existem elementos instintivos. Mas Aristóteles não exclui a possibilidade de que uma relação de amor possa transformar-se em uma verdadeira amizade.
    Aristóteles estudou também astronomia e sobre essa ciência ele propôs a teoria do geocentrismo colocando a terra no centro do movimento do universo, para ele a terra era formada por quatro elementos: a terra o ar o fogo e a água e a composição desses quatro elementos forma tudo que existe sobre a terra. Cada elemento tinha duas das quatro características ou atributos da matéria: o seco (terra e fogo), o úmido (ar e água), o frio (agua e terra) e o calor (fogo e ar). Cada elemento tem a tendência a permanecer ou a retornar ao seu lugar próprio na natureza que para a terra e a água é embaixo e para o ar e o fogo é o alto. Portanto a terra como planeta tem que estar no centro do universo pois ele é formada por dois elementos que tendem a ficar por baixo e o absolutamente baixo é o centro do universo. Acreditava ainda que fora da terra existia um quinto elemento chamado  éter pois ele não acreditava na existência do vazio. O éter, que não existe sobre a terra, não tem massa, é invisível, eterno e inalterável.
    Ele fundou a biologia como ciência e seus estudos foram bastante descritivos das diversas formas de vida, desenvolvendo um esquema de classificação dos seres vivos que foi usado por muito tempo. Para ele as espécies são eternas e imutáveis e a reprodução não determina a mudança na substância principal, mas somente nas substâncias secundárias dos novos indivíduos.
    Aristóteles expôs na Política a teoria clássica das formas de governo, teoria essa que continua sendo utilizada para o entendimento da política atual. Para formular sua teoria das seis formas de governo levou em conta dois fatores principais, quem governa e como governa. Com base no critério de quem governa ele definiu os governos como sendo de uma pessoa, de poucas pessoas e de muitas pessoas, a primeira é a monarquia, a segunda é a aristocracia e a terceira é a democracia. Seguindo o critério de como se governa ele definiu as formas de governo como puras e impuras, sendo as puras boas e as impuras ruins. Aplicando o critério de quem governa com a forma impura de governo ele obteve a tirania, governo de um só, oligarquia, governo de poucos e a democracia, governo de muitos. A todas essas formas de governo ele deu uma hierarquia levando em conta se os interesses do governo era comum ou individual, classificando as mesmas  em uma sequência que vai da melhor para a pior: 1 - Monarquia, 2 - Aristocracia, 3  - Democracia, 4 - Demagogia, 5 - Oligarquia, 6 - Tirania.
    Em sua ética ele defende que o ser humano em suas atividades e em suas escolhas busca sempre um fim que pareça bom e desejável e o fim último de todas as buscas é a felicidade. E a felicidade consiste em o ser humano alcançar a sua missão, o seu objetivo, algo que lhe é próprio. As pessoas são felizes quando fazem bem a sua missão, o músico é feliz quanto toca bem pois tocar é a sua missão. As pessoas atingem a sua missão e por consequência a sua felicidade através da razão e da virtude, assim as pessoas somente serão felizes se forem virtuosas e utilizarem a razão para atingirem sua missão.

Sentenças:
- Alguns acreditam que para ser amigos basta querer, como se para estar saudável bastasse desejar a saúde.
- Avaro é aquele que não gasta naquilo que deve, nem naquilo que não deve, nem quando deve.
- Cometer uma injustiça é pior que sofrer uma injustiça.
- A razão são os olhos do espírito.
- Ensinar não é uma função vital, porque não tem o fim em si mesmo, a função vital é aprender.
- A vitória pior de se alcançar é a vitória sobre si mesmo.
- Deus e a natureza não fazem nada inutilmente.
- O amigo de todos não é um bom amigo.
- Nas democracias as revoluções são quase sempre obra dos demagogos.
- Quem é sábio não diz nunca tudo o que pensa, mas sempre pensa em tudo o que diz.
- O amor só acontece entre pessoas virtuosas.
- A amizade é uma alma que mora em dois corpos, um coração que palpita em duas almas.
- Quem é solitário pode ser um monstro ou um deus.
- O castigo do mentiroso é que não acreditamos quando ele fala a verdade.
- A riqueza é muito mais desfrutar do que possuir.
- Um ignorante afirma, o sábio duvida e reflete.
- O homem é um animal político.
- Superar o mestre é o objetivo do verdadeiro discípulo.
- O homem mais poderoso é o que é dono de si mesmo.
- A esperança é o sonho do homem acordado.
- A história conta o que aconteceu, a poesia o que deveria acontecer.
- O que temos que aprender aprendemos fazendo
- Grandes conhecimentos geram grandes dúvidas.
- Não se pode desatar um nó sem saber como ele é feito.
- Amamos mais o que conquistamos com sofrimento. 
- Todos os homens por natureza buscam o conhecimento.


06) A Ética a Nicômaco é o principal tratado ético de Aristóteles. Dois tópicos centrais da ética aristotélica são a teoria das virtudes e a análise do conceito de justiça. Sobre estes dois tópicos, leia com atenção as seguintes afirmativas:
I. para Aristóteles o ser humano possui apenas um tipo de virtude, ligada apenas às disposições morais e não às intelectuais.
II. as virtudes são o meio termo entre disposições morais contrárias.
III. ações morais que exprimem o caráter virtuoso são praticadas por causa de algo exterior a elas.
IV. ações morais têm de ser necessariamente as ações voluntárias.
V. a justiça é apenas uma virtude de indivíduos e não de instituições da polis.
VI. Aristóteles explicita a diferença entre justiça distributiva e justiça corretiva.
VII. Aristóteles determina a sabedoria prática (fronesis) como uma capacidade superior à inteligência (nous).
VIII. para Aristóteles a amizade é uma virtude que só ocorre por causa e em vista da utilidade.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas II, III e VI são corretas.
B( ) Somente as afirmativas I, IV, V e VI são corretas.
C( ) Somente as afirmativas I, IV e VI são corretas.
D( ) Somente as afirmativas I, IV e V são corretas.
E(X ) Somente as afirmativas II, IV e VI são corretas.

07) A Política de Aristóteles representa, juntamente com a Ética a Nicômaco, aquilo que o próprio filósofo chama de ciência política. Leia com atenção as afirmativas abaixo sobre a ciência política, tal como exposta no livro Política:
I. os seres humanos são vistos, por princípio, como seres políticos porque possuem a racionalidade ligada ao discurso (logos).
II. Aristóteles não faz restrições políticas à atividade econômica na polis.
III. na teoria das formas de governo elaborada por Aristóteles, as formas justas são a monarquia, a aristocracia e a democracia.
IV. ao contrário de Platão, em sua República, Aristóteles não se preocupa em propor as características de uma cidade ideal.
V. para Aristóteles o maior número de cidadãos da classe média em uma polis é uma condição necessária para sua estabilidade política.
VI. ao contrário de Platão, em sua República, Aristóteles não fala da música na educação dos cidadãos.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I, IV e VI são corretas.
B( ) Somente as afirmativas II, III, V e VI são corretas.
C( ) Somente as afirmativas I, III, V e VI são corretas.
D( ) Somente as afirmativas I, IV, V e VI são corretas.
E(X ) Somente as afirmativas I e V são corretas.
335 a.C.: Aristóteles funda o Liceu em Atenas, escola rival da Academia. 
Aristóteles chamou os primeiros pensadores de fisiólogos, pois eles se voltaram para a investigação da natureza a partir de princípios racionalmente justificados ou justificáveis.
Sobre a investigação da natureza elaborada pelos présocráticos: 

                  A filosofia se constitui, a partir das concepções de Sócrates, Platão e
Questão (1) -
Aristóteles, como o pensamento que investiga:
a) A questão da dívida externa.
b) A questão dos números na matemática.
c) O mercado de trabalho.
      d) As questões relacionadas ao ser humano e ao cosmo.

05) No livro intitulado Metafísica, Aristóteles procura fundamentar e justificar o que chamou de filosofia primeira. Desde a Idade Média há controvérsias quanto à correta interpretação do sentido exato do conceito de filosofia primeira nos textos que compõem a Metafísica, pois há passagens conflitantes sobre este conceito. Independentemente da interpretação adotada pelos exegetas desta obra ao longo da história, analise as afirmativas abaixo sobre a filosofia primeira:
I. Aristóteles nunca afirma que a filosofia primeira é a teologia.
II. a filosofia primeira parte do fato de que o conceito de ser se diz de várias maneiras e procura explicar este fato.
III. a ontologia de Aristóteles tem na essência (ousia) seu tema principal.
IV. as essências (ousia) sensíveis são definidas como formas imateriais.
V. a matemática é chamada por Aristóteles de filosofia segunda em relação à filosofia primeira.
VI. o movente não-movido (Deus) é definido por Aristóteles como única forma sem matéria sempre atual.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I, II e V são corretas.
B( ) Somente as afirmativas II, IV e VI são corretas.
C( ) Somente as afirmativas III, V e VI são corretas.
D(X ) Somente as afirmativas II, III e VI são corretas.
E( ) Somente as afirmativas I, III e VI são corretas.
  1. Todos os pré-socráticos supõem como verdadeiro que nada provém do nada. 
  2.  Tales, Anaximandro e Anaxímenes defendem que a natureza tem um princípio único.
  3.  Anaxágoras afirma que a Inteligência (Nous) é princípio de todas as coisas.


Setembro 
Neoplatonismo
Plotino
Plotino (204 - 270)
           Para Plotino o Uno, que a tradição cristã identifica como Deus, transcende o ser, a substância e a morte, vai além de todas as coisas, é infinito e imaterial. Mas é o Deus-Uno que gera e conserva todas as coisas ilimitadamente. Nós não conseguimos entender, chegar até Ele, manifestar ou representar Deus. Ele cria as coisas como se fossem emanações que dele saem como a luz que sai de um astro luminoso e se espalha para tudo à sua volta.
            Plotino se pergunta porque Deus existe e porque ele é da forma que é, e responde que Deus se auto-produziu. Ele é um supremo Bem que criou a si mesmo. E ele é dessa forma porque essa é a superior e melhor forma de ser. Ele existe Nele e para Ele e tem a suprema liberdade de criação. Além disso, Ele transcende a si próprio.
            Deus quando pensa a si mesmo cria o intelecto que é a sua representação. O intelecto quando pensa em si cria a alma que é a representação do intelecto. Nesse processo de representação as criações vão perdendo a identidade com o que representam, da mesma forma como as cópias de cópias vão perdendo a qualidade. Assim, as coisas que tem origem em deus serão sempre mais inferiores a Deus à medida que se afastam dele.
            Na sequência de importância das derivações está Deus em primeiro lugar, o intelecto em segundo, a alma em terceiro. Estes três primeiros formam o que pode ser apreendido pelo intelecto. Em seguida aparece o mundo físico, criado pela alma e que é composto de matéria que é algo negativa para Plotino. Deus está nessa sequência no patamar superior e a matéria está na parte mais baixa dessa visão. A matéria é o não ser, é o Mal, pois está privado de todo Bem. Ela é negativa, pois está desprovida de toda positividade que vem do Deus-Uno.
            A alma inicialmente cria a matéria para depois dar forma a essa matéria. A alma dá forma à matéria iluminando-a. O mundo físico é, portanto formas criadas pela alma.
            A consciência para Plotino é a capacidade de encontrar a verdade dentro de si mesmo. É na consciência que vamos encontrar as mais elevadas verdades e a origem de todas as verdades, que é Deus. Ir em busca das verdades da consciência é fazer um caminho de regresso à nós mesmos, um caminho de volta para dentro de nós. Retornar à nós mesmos é fazer o caminho que vai nos levar à Deus. Para percorrermos esse caminho devemos inicialmente nos tornar independentes da exterioridade corporal e após devemos nos purificar com as virtudes da inteligência e da sabedoria, do equilíbrio dos desejos, da coragem e da justiça. Essas virtudes devem ser comandadas pela razão e pelo intelecto, usando também como instrumentos o amor, a música e a filosofia.
            Para Plotino, mesmo o mal tem a sua razão de ser, pois sendo ele inevitável, significa que ele é necessário. Ele atribui ao mal também uma função ética, ele vê no mal uma espécie de expiação por uma culpa original.

Sentenças:
- A beleza e o bem devem ser buscados no mesmo caminho.
- Três coisas conduzem a Deus: A música, o amor e a filosofia.
- Ensinar é indicar o caminho, mas na viagem cada um vai ver o que quiser ver.
- Os olhos não veriam o sol se não fossem parecidos com o sol e a alma não verá a beleza se ela não for bela.
- A natureza não tem mãos para fabricar as mãos.




02) Aristóteles chamou os primeiros pensadores de fisiólogos, pois eles se voltaram para a investigação da natureza a partir de princípios racionalmente justificados ou justificáveis.
Analise as afirmativas abaixo sobre a investigação da natureza elaborada pelos présocráticos:
I. existe ordem na natureza, mas nós não podemos conhecê-la.
II. nenhum pré-socrático colocou conjuntamente os quatro elementos (terra, fogo, água e ar) como princípios de todas as coisas.
III. todos os pré-socráticos supõem como verdadeiro que nada provém do nada.
IV. os eleatas diziam que o ser, para eles sinônimo da natureza de todas as coisas, é divisível.
V. Tales, Anaximandro e Anaxímenes defendem que a natureza tem um princípio único.
VI. Anaxágoras afirma que a Inteligência (Nous) é princípio de todas as coisas.
VII. para Leucipo e Demócrito os átomos, que juntamente com o vazio compõe a natureza como um todo, são infinitamente divisíveis.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( X ) Somente as afirmativas III, V e VI são corretas.
B( ) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
C( ) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
D( ) Somente as afirmativas III, V e VII são corretas.
E( ) Somente as afirmativas III, IV e VI são corretas.
Outubro 
341 a.C.: Nasce EPICURO. Materialismo. Moral do prazer (ataraxia).

Epicuro de Samos (em grego antigoἘπίκουρος, Epikouros, "aliado, camarada"; 341 a.C., Samos — 271 ou 270 a.C., Atenas) foi um filósofogrego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador.

O propósito da filosofia para Epicuro era atingir a felicidade,[2] estado caracterizado pela aponia, a ausência de dor (física) e ataraxia ou imperturbabilidade da alma. Ele buscou na natureza as balizas para o seu pensamento: o homem, a exemplo dos animais, busca afastar-se da dor e aproximar-se do prazer. Estas referências seriam as melhores maneiras de medir o que é bom ou ruim. Utilizou-se da teoria atômica de Demócrito para justificar a constituição de tudo o que há. Das estrelas à alma, tudo é formado de átomos, sendo, porém de diferentes naturezas. Dizia que os átomos são de qualidades finitas, de quantidades infinitas e sujeitos a infinitas combinações.
morte física seria o fim do corpo (e do indivíduo), que era entendido como somatório de carne e alma, pela desintegração completa dos átomos que o constituem. Desta forma, os átomos, eternos e indestrutíveis, estariam livres para constituir outros corpos. Essa teoria, exaustivamente trabalhada, tinha a finalidade de explicar todos os fenômenos naturais conhecidos ou ainda não e principalmente extirpar os maiores medos humanos: o medo da morte e o medo dos deuses.

O prazer[editar | editar código-fonte]

A doutrina de Epicuro entende que o sumo bem reside no prazer, e, por isso, foi uma doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo.[4] O prazer de que fala Epicuro é o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É o prazer da justa medida e não dos excessos. É a própria Natureza que nos informa que o prazer é um bem. Este prazer, no entanto, apenas satisfaz uma necessidade ou aquieta a dor. A Natureza conduz-nos a uma vida simples. O único prazer é o prazer do corpo e o que se chama de prazer do espírito é apenas lembrança dos prazeres do corpo. O mais alto prazer reside no que chamamos de saúde. Entre os prazeres, Epicuro elege a amizade. Por isso, o convívio entre os estudiosos de sua doutrina era tão importante a ponto de viverem em uma comunidade, o "Jardim". Ali, os amigos poderiam se dedicar à filosofia, cuja função principal é libertar o homem para uma vida melhor.[5]

3º Trimestre

Novembro 

Epicurismo, Estoicismo, cinismo e ceticismo

As principais correntes filosóficas desse período vão tratar da intimidade, e da vida interior do ser humano. Entre as principais tendências desse período destaca-se o epicurismo, o estoicismo, o pirronismo e o cinismo. 

EPICURISMO: O PRAZERepicurismo, de Epicuro (324-271 a.C.) – propunha a ideia de que o ser humano deve buscar o prazer da vida. No entanto, distinguia, entre os prazeres, aque­les que são duradouros e aqueles que acarretam dores e sofrimentos, pois o prazer estaria vinculado a uma conduta virtuosa. 

Para Epicuro, o supremo pra­zer seria de natureza intelectual e obtido mediante o domínio das paixões. Os epicuristas procuravam a ataraxia, termo grego que usavam para designar o estado em que não havia dor, de quietude, serenidade, imperturbabilidade da alma. 

O epicurismo, posteriormente, serviu de base ao hedonismo, filosofia que tam­bém defende a busca do prazer, mas que não diferencia os tipos de prazeres, tal como faz Epicuro. Defendia que o prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz.

 Epicuro defendia dois grandes grupos de prazeres. O primeiro reúne os prazeres mais duradouros, que encantam o espírito, como a boa conversação, a contemplação das artes, a audição da música etc. O segundo inclui os prazeres mais imediatos, muitos dos quais são movidos pela explosão das paixões e que, ao final, podem resultar em dor e sofrimento. Para desfrutar dos prazeres do intelecto é necessário dominar os prazeres exagerados da paixão.

  ESTOICISMO: O DEVERestoicismo, de Zenão de Cício (334-262 a.C.) – os representantes des­ta escola, conhecidos como estoicos, defendiam uma atitude de completa austeridade física e moral, baseada na resistência do homem ante os sofrimentos e os males do mundo. 


Seu ideal de vida, designado pelo termo gre­go apathéia (que costuma ser mal traduzido por "apatia"), era alcançar uma serenidade diante dos acontecimentos fundada na aceitação da "lei universal do cosmos", que rege toda a vida. 

Fundado pelas ideias de Zenão de Cício, Defendiam a noção de que toda a realidade existente é uma realidade racional. O que chamamos de Deus, nada mais é do que a fonte dos princípios racionais que regem a realidade. Zenão propõe o dever, vinculado à compreensão da ordem cósmica, como o melhor caminho para a felicidade.  CETICISMO: A SUSPENSÃO DO JUÍZOO ceticismo (pirronismo), de Pirro de Élis (365-275 a.C.) - segundo suas teorias, nenhum conhecimento é seguro, tudo é incerto. O pirronismo defendia que se deve con­tentar com as aparências das coisas, des­frutar o imediato captado pelos sentidos e viver feliz e em paz, em vez de se lan­çar à busca de uma verdade plena, pois seria impossível ao homem saber se as coisas são efetivamente como aparecem. Assim, o pirronismo é considerado uma forma de ceticismo, que professa a im­possibilidade do conhecimento, da obten­ção da verdade absoluta. Fundado a partir das ideias de Pirro de Élis, foi uma corrente filosófica que defendia a ideia de que tudo é incerto, nenhum conhecimento é seguro, qualquer argumento pode ser contestado. Desse modo, aceitando que das coisas só se podem conhecer as aparências e desfrutando o imediato captado pelos sentidos, as pessoas viveriam felizes e em paz.

  CINISMO: ALÉM DAS CONVENÇÕESO cinismo - o termo cinismo vem do grego kynos, que significa "cão", e desig­na a corrente dos filósofos que se pro­puseram a viver como os cães da cida­de, sem qualquer propriedade ou con­forto. Levavam ao extremo a filosofia de Sócrates, segundo a qual o homem deve procurar conhecer a si mesmo e desprezar todos os bens materiais. 

Por isso Diógenes, o pensador mais destacado dessa escola, é conhecido como o “Sócrates demente”, ou o “Sócrates louco”, pois questionava os valores e as tradições sociais e procurava viver estritamente conforme os princípios que considerava moralmente corretos. Sãos inúmeras as histórias e acontecimentos na vida desse filósofo que o tornaram uma figura instigante da história da filosofia.

 Cínico, do grego kynicos, significa “como um cão”. Designa assim a corrente dos filósofos que se propuseram viver como os cães da cidade, sem qualquer propriedade e conforto. Levavam ao extremo a tese socrática  de que o ser humano deve procurar conhecer a si mesmo e desprezar todos os bens materiais.

 FONTES: (COTRIM, G. Fundamentos da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2005, pp.105-106) in http://jaueras.blogspot.com.br/2010/01/as-quatro-escolas-do-helenismo.html

Prova
1- Em relação às Escolas Helenísticas e Imperiais, enumere a segunda coluna de acordo com a primeira.
a - Cinismo. b - Epicurismo. c - Estoicismo. d - Ceticismo.
( ) Fundada por Zenão de Citium, ensinava em Atenas na Stoa Poikilê. Entre seus representantes na Roma Imperial, destacaram-se Sêneca, Epíteto e Marco Aurélio.
( ) Desenvolveu uma argumentação para mostrar que é necessário suspender o juízo, recusar sua adesão a todo dogma e alcançar, assim, a tranquilidade da alma. Em Roma, Sexto Empírico foi considerado um dos seus representantes e escreveu Esboços Pirrônicos.
( ) Devedora da cosmologia desenvolvida por Demócrito de Abdera, construiu uma física materialista e explicou que o Universo é formado por átomos e pelo vazio. Em Atenas, tinha sua Escola no local chamado Jardim. Lucrécio foi seu grande representante em Roma.
( ) Seus membros menosprezaram as regras sociais, não se preocupando com normas de condutas. Destacaram-se como alguns de seus maiores representantes, Diógenes de Sínope e Hipárquia. 
2. Quais das correntes filosóficas abaixo podem ser consideradas do período helenístico:
a) modismo, marxismo e capitalismo
b) estoicismo, epicurismo e modismo
c) epicurismo, cinismo, estoicismo e pirronismo (ceticismo)
d) platonismo e neoplatonismo
e) epicurismo, platonismo, estoicismo e pirronismo (ceticismo)

08) Apesar de sua diversidade e suas diferenças teóricas, todas as escolas do helenismo colocam a ética como a parte mais importante da filosofia. Analise as afirmativas sobre as concepções éticas dessas escolas:
I. para os epicuristas o prazer é o bem ético, por isso defendiam o hedonismo radical.
II. o cético pirrônico deseja chegar a e permanecer na tranquilidade decidindo-se por alguma doutrina específica.
III. segundo Epicuro, para alcançar o bem ético o filósofo deve atuar sempre que possível na política.
IV. os estóicos preconizavam que a virtude para chegar ao bem ético deveria basear-se nas inclinações e desejos.
V. os céticos praticavam a suspensão do juízo (epochê) como meio de se chegar à tranquilidade da alma.
VI. os cínicos eram críticos dos costumes estabelecidos porque acreditavam que as cidades existentes afastavam os seres humanos da felicidade, que para eles consistia no retorno à natureza.
VII. segundo os estóicos, o filósofo só encontrará a felicidade ética se admitir que tudo que ocorre no mundo é justo, porquanto se realiza segundo as leis de uma divindade racional.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I, II, V e VII são corretas.
B( ) Somente as afirmativas II, III, V e VI são corretas.
C( C ) Somente as afirmativas V, VI e VII são corretas.
D( ) Somente as afirmativas II, V, VI e VII são corretas.
E( ) Somente as afirmativas I, VI e VII são corretas.

360 a.C.: Nasce PIRRO. Ceticismo universal. 

340 a.C.: Nasce ZENÃO de Citium. Estoicismo

Zenão de Cítio (340 - 264 a.C.)
Zenão foi o fundador da escola Estoica que rejeitava a metafísica e  todo tipo de transcendência. Para essa escola a filosofia é a arte de bem viver que ele separa em três partes, a lógica e física e a ética. Em uma comparação clássica, os estoicos viam a filosofia como um pomar,  a cerca em volta do pomar é a lógica que serve para defender e filtrar o que vai entrar no pomar, a física é representada pelas árvores que são a estrutura da filosofia e os frutos das árvores é a ética que é o objetivo da existência do pomar. A lógica produz um critério de verdade. A física é monista e panteísta e a ética é que vai dirigir o modo de proceder dos homens. O fim desse caminho é conquistar a felicidade.
A natureza leva o homem a amar e conservar a si próprio e esse instinto é muito mais que um impulso individual ou egoísta pois além de querer conservar a si o homem através desse instinto natural quer também conservar as pessoas que gera, seus filhos, e as pessoas que o geraram, pais e parentes. Esse instinto natural se expande a vários dos seus semelhantes. A natureza além de levar os indivíduos a amar a si mesmo também os leva a unir-se a amar e a ser útil também a outros indivíduos.
O homem é também um animal que vive em comunidade e essa comunidade amplia-se para todos os homens. Os estoicos dessa forma descartaram a diferenciação entre os homens por causa de instituições como nobreza, sangue ou superioridade de alguma raça sobre a outra. Todos os homens são capazes de alcançar a virtude, todos são livres e ninguém é naturalmente escravo. O conceito de liberdade e escravidão liga-se ao conhecimento e à sabedoria. O homem sábio é um homem livre e o tolo tende a ser um escravo.
            A base dos nossos conhecimentos nós adquirimos através das sensações que temos dos objetos que imprimem em nós o que vai ser conduzido para a nossa alma, que vai fazer uma representação do objeto. Nós não temos ideias inatas. Os objetos é que imprimem em nós as sensações, mas nós temos a liberdade para nos posicionarmos diante dessa impressão. Nós é que vamos consentir ou não a ocorrência da representação. Se nós consentirmos nós vamos apreender o objeto, ou seja, nós vamos captar intelectualmente a ideia desse objeto.
            Para Zenão os homens alcançam a plena felicidade no momento que renunciam as paixões, as contrariedades e os aborrecimentos. Para alcançarmos essa renúncia devemos viver na apatia, nos conduzindo pelo destino, sem temer nada e sem esperar nada.

Sentenças:
- O sentido da vida consiste estar de acordo com a natureza.
- Nenhum homem é por natureza escravo.
- O sábio não se comove por ninguém e não condena ninguém por um erro cometido.



Romanos


4: Nasce SÊNECA. 

Sêneca (4 - 65)

            Lúcio Aneu Sêneca distingue o corpo da alma, o corpo é o que prende a alma e a alma é onde está o verdadeiro homem. Para que a alma se torne pura, ela tem que se libertar do corpo que é um peso que prende a alma nas coisas materiais. A alma tem uma parte racional e outra irracional. A parte irracional é dividida em duas, uma das paixões que é irascível e ambiciosa e outra humilde que é branda e que busca o prazer.
            Na filosofia de Sêneca a consciência é a capacidade de conhecimento que o homem tem de distinguir entre o bem e o mal. As pessoas não podem livrar-se dessa capacidade, não conseguem esconder-se dela porque as pessoas não podem esconder-se de si mesmas. O criminoso pode evitar a punição da lei, mas não evita a punição de sua consciência que é um juiz que não perdoa ninguém.
            O pecado está na estrutura e na fundamentação do homem. Para sermos homens precisamos pecar, se alguém nunca pecar, não é homem, mesmo o sábio é um pecador. Existe um constante contraste entre aquilo que o homem é e aquilo que o homem deveria ser. Essa hesitação entre ser uma coisa ou ser outra, em escolher entre o bem e o mal é algo exclusivo dos seres humanos.
            Sêneca era contra a escravidão e contra as diferenciações sociais entre as pessoas. O que pode dar valor e nobreza a uma pessoa é somente a virtude e essa todos podem ter. Na sociedade o que define se alguém vai ser escravo ou um nobre é somente a sorte do nascimento. Em sua origem todos os homens eram iguais. A nobreza é uma construção de cada homem no desenvolvimento do seu espírito.
            Devemos nos comportar com os nossos inferiores como gostaríamos que nossos superiores se comportassem conosco. O amor e a fraternidade é que deve fundamentar a relação entre as pessoas. Para ele a filosofia tem uma finalidade prática. O homem tem que conhecer a natureza e os seus fenômenos para perder o temor do mundo. Acreditava na predestinação dos homens que podem aceitar ou rejeitar seu destino, se aceitarem, podem viver em liberdade, se rejeitarem não terão uma vida livre.

Sentenças:
- Quem corre em um labirinto se confunde com a própria velocidade.
- Saber mais que os outros é fácil, difícil é saber melhor que os outros.
- Perdemos o dia esperando a noite e perdemos a noite esperando amanhecer.
- Os costumes começam como vícios.
- A verdadeira felicidade não é ter tudo, mas não desejar nada.
- Quem morre se adianta no caminho.
- Vemos melhor o sol quando ele está se pondo.
- A justiça tardia se parece muito com a injustiça.
- Se queres teus segredos guardados, guarda-os você mesmo.
- Quando não sabemos a que porto estamos indo, qualquer vento é favorável.
- De todos os dias da nossa vida, poucos dedicamos a nós mesmos. 
- Pobre não é quem tem pouco, mas quem muito deseja.
- É inútil dar conselhos à um sábio e aconselhar um ignorante é perca de tempo.   
- Quem é temido por muitos deve também temer a muitos.
- A paz é conveniente ao vencedor e necessária ao vencido.
- Sou homem e não considero estranho nada que é humano.
- Somos todos membros de um grande corpo.
- A divindade está perto de você, está contigo, está dentro de ti.




121: Nasce MARCO AURÉLIO


Marco Aurélio (121 - 180)
Em sua obra Recordações Marco Aurélio expõe de forma fragmentada algumas das suas ideias. Através de máximas e de pensamentos sucintos ele expõe seus julgamentos sobre sua época e sobre sua vivência. Em suas sentenças ficam claro suas ideias de que a sociedade, as coisas e os homens estão em estado de decadência, frivolidade e ausência de talento e criatividade. È clara também sua exposição melancólica do seu modo de ver o mundo.
            Mesmo assim ele acreditava que o ser e o universo são fundamentados em um Deus uno que abarca e compõe tudo, identificando Deus com o conjunto de todas as coisas que existem, criando dessa forma uma realidade integrada. Sobre a ética e a forma da agir dos homens ele destaca a moral como sendo a explicação da valorização do viver.
            Para Marco Aurélio o homem se constitui de três origens: a primeira que é o corpo, constituído de carne; a segunda que é a alma, formada por um sopro e que é a origem e o que impulsiona o corpo; e terceiro a inteligência que tem por base a nossa mente. E é a inteligência que direciona o ser humano em seus caminhos e ações, levando-nos a uma vida que seja merecedora do que somos, homens. A nossa inteligência faz também parte do mundo e nos serve de guia como se fosse uma parte do próprio Deus.
            Nada pode destruir a nossa inteligência se ela não quiser que assim o seja.  Nenhuma força bruta pode ser dificuldade para o nosso intelecto. Somente os juízos ou ideias fundamentadas podem ser obstáculo para mudar o rumo das nossas opiniões. Falsas avaliações podem também nos levar ao erro. Mas se nossa inteligência for bem conduzida ela pode ser o nosso local de proteção e abrigo onde encontraremos a plena paz.
            A filosofia é quando nossa alma permanece em si mesma, quando faz um exame interior e de reflexão.
            A nossa inteligência nos liga diretamente com Deus que se liga a inteligência das outras pessoas e é por isso que os homens são todos irmãos e devem amar-se como tais. Mas a nossa razão somente pode ser acessada por Deus e não pode ser atingida por outros seres humanos. Ninguém pode, portanto, atacar a nossa inteligência.
            A morte é o que vai libertar a nossa alma pois o corpo é a sua prisão.
            O homem é impotente frente a Deus, além de ser superficial sua posição e existência. O homem não tem sentido em si mesmo, a única saída para esse dilema é a sabedoria e a inteligência que podem dar um sentido para a existência individual dos homens.

Sentenças:
- O mundo é uma transformação perpétua e a vida somente uma opinião.
- O homem ambicioso tem seus fundamentos nas ações dos outros. O homem voluptuoso nas suas sensações e o homem sensato em sua próprias ações.
- Encontrarás conforto para as vãs fantasias do mundo se fizeres cada ato da tua vida como se fosse o último.
- O melhor modo para se defender de um inimigo é não se comportar como ele.
- Viver é mais parecido com a luta do que com a dança.
- A vida de um homem é o que seus pensamentos fazem dela.
- Nunca discuta com um superior, você corre o risco de ter razão.
- Os homens, façam o que façam, serão sempre homens.
- Cada dia vivido é um dia a menos para se viver.   
 - O que não é útil para o enxame não pode ser útil para a abelha.
- Vivemos somente por um instante para depois cairmos no completo esquecimento e no vazio infinito do tempo.
- Todo o que existe vai se desintegrar e tudo o que for criado pela natureza está destinado a morrer.
- Desejos nos levam à permanente preocupação e decepção.

Epiteto 55-135

Epicteto (55 - 135)
Musónio Epicteto busca em seus pensamentos destacar o lado prático da filosofia para desenvolver a moral. O filósofo é que vai educar e tratar os homens que sofrem com as paixões e ele busca fazer isso através da virtude.
            Para Epicteto Deus está dentro de nós através da alma, Deus é a alma que está em nós e portanto nunca estamos sós, pois Deus está conosco. Deus é nosso pai e como tal devemos obediência a Ele. Foi Ele que nos deu a dádiva de existirmos e devemos a ele o reconhecimento dessa dádiva. Mas não precisamos para isso da religião, pois dependemos de Deus e não de outros homens. Podemos e devemos atingir a moral e a virtude através da razão em uma busca independente, pois podemos nos governar por nossas próprias leis.
            Deus é sabedoria, inteligência e como tal segue a razão, a razão é um bem. Deus cuida de todas as coisas e de cada pessoa em particular. Obedecer Deus significa obedecer a sabedoria pois nela está o bem. Fazer a vontade de Deus é seguir a razão. Quando nos submetermos à vontade de Deus, ou seja, à razão, encontraremos a liberdade.
            A virtude que alcançarmos através da razão vai nos dar liberdade, mas para isso precisamos também nos tornar independentes das coisas que estão no exterior de nós mesmos. Somente podemos confiar nas coisas que estão sob nosso poder, sobre as quais temos controle. Os bens materiais, a posição social e até mesmo nosso corpo são coisas externas, pois não podemos controlá-los. Não podemos deixar que essas coisas dominem nosso espírito porque se isso acontecer vamos também perder o controle sobre ele.
            Uma liberdade garantida deve ter por fundamento coisas sobre as quais temos o domínio, coisas como desejo, opiniões e sentimentos. Devemos suportar o que não podemos modificar e tentar modificar o que precisa ser modificado das coisas que dominamos como desejos ou ideias irracionais.
            Epicteto define assim o seu princípio filosófico definindo as coisas em dois conjuntos. O conjunto das coisas sobre as quais podemos exercer nosso poder e o conjunto das coisas sobre as quais não temos nenhum poder. As coisas boas e as coisas más estão incluídas no conjunto que está sobre nosso poder, pois elas são o resultado da nossa capacidade de fazer ou de não fazer algo. O que não está sobre nosso poder, além de não ser da nossa responsabilidade, não pode ser atingido pela nossa vontade.
            Os dois conjuntos de coisas não podem estar juntos, pois são excludentes e um vai destruir o outro. Não levar em conta essa divisão é seguir o caminho que vai nos levar ao erro. Quem escolhe viver para e seguindo as normas do conjunto de coisas que não domina vai acabar se tornando escravo dessas coisas. Mas quem rejeitar ao que não está sob nossa dependência e se dedicar ao conjunto que dominamos, vai se tornar livre e encontrar paz espiritual.

Sentenças:
- Acusar os outros pelas nossas infelicidades é uma falta de educação.
- O que evitamos sofrer, fazemos sofrer os outros.
- Se você quer algo na vida, lute para conseguir.
- Ninguém é livre se não for dono de si mesmo.
- Não é o fato que desorienta as pessoas, mas os juízos que fazem dos fatos.
- O desejo e a felicidade não podem viver juntos.
- O erro dos velhos é julgar o hoje com os critérios do ontem.
- Na desgraça descobrimos os inimigos e colocamos a prova os amigos.
- Quem tem sorte ganha no genro um filho, quem não tem, perde uma filha.
- A verdade vence por si mesma, a mentira precisa de cúmplices.
- As grandes coisas precisam de tempo para serem criadas.
- Sábio é quem se alegra com o que tem e não fica triste pelo que não tem.
- É impossível aprender o que pensamos que já sabemos.


170: Nasce SEXTO EMPÍRICO. Ceticismo universal 

exto Empírico (em grego antigo: Σέξτος Εμπειρικός, transl. Séxtos Empeirikós; em latimSextus Empiricus) foi um médico e filósofo grego que viveu entre os séculos II e III d.C..
Seus trabalhos filosóficos são um dos melhores exemplos do ceticismo pirrônico e fonte da maioria dos dados referentes a essa corrente filosófica, opondo-se à astrologia e outras magias. Seus escritos foram publicados emlatim pela primeira vez em 1562, por Henricus Stephanus. Seus conceitos influenciaram Montaigne e Hume.
Não se sabe de onde era originário, embora tenha vivido em Atenas,Alexandria e Roma. Recebeu o apelido de Empírico por suas concepções filosóficas porém, especialmente, por sua prática médica. Seus escritos, muito influenciados pelos de Pirro de Élis e Enesidemo, estão dirigidos contra a defesa dogmática da pretensão de conhecer a verdade absoluta, tanto na moral como nas ciências.




Dezembro


Helênicos


Pirro de Élida( 365 - 270 a.C.)
Pirro foi fundador da escola cética, ele distingue o que é o bem por natureza e o que é o bem pelas convenções humanas e chega à conclusão de que não existem coisas verdadeiras ou coisas falsas, não existe também na natureza conceitos como a feiura e a beleza ou a bondade e a maldade, esses conceitos todos são criações dos homens e ele os nega por serem somente uma convenção, um costume. Por isso não podemos fazer juízos sobre as coisas. Além do mais é impossível afirmar se algo é realmente falso ou verdadeiro, se uma atitude é justa ou injusta. Todos esses conceitos vão depender do que está convencionada nas relações sociais e não da natureza, e essa não faz convenções.
A atitude do filósofo é interromper em si mesmo a ação de fazer juízos, parar de julgar e conceituar as convenções pois esses juízos e conceitos são indiferentes para o homem. É inútil preferir algo em detrimento de outra coisa, todas as duas coisas são somente combinações feitas pelos homens e são combinações passageiras. O homem não deve se perturbar com nada no mundo, nem mesmo pelas paixões, essa é a atitude que ele chama de ataraxia, que é uma indiferença para com o mundo e suas coisas. A ataraxia leva o indivíduo à felicidade através da tranquilidade e da serenidade, indiferente ao mundo que o circunda.
Sobre as coisas do mundo não vale a pena nem sequer pronunciarmos nossas opiniões, a atitude mais coerente é ficarmos totalmente indiferente a elas.
            A Escola cética teve diversos seguidores e muitas variantes das ideias de Pirro como a de que o saber é algo impossível de ser alcançado e que não existem afirmações que possam ser verdadeiras e que não sejam postas em dúvida. Para o filósofo cético Agripa existem cinco formas para podermos alcançar a interrupção dos nosso  juízos: 1 - Discordância, os filósofos vão sempre discordar sobre diversas coisas, sendo impossível escolher entre a opinião de um e de outro; 2 - Prova última, toda prova parte do princípio de que existe uma prova para esta prova e esse argumento pode ser levado ao infinito pois sempre vai existir uma prova que prova a prova da prova; 3 - Relatividade, onde nós somente podemos conhecer os objetos relativos a nossa capacidade e a nossa forma de compreensão, que sempre será diferente da capacidade e da compreensão de todas as outras pessoas; 4 - Hipótese, porque todas as provas tem um fundamento último que não se pode provar e é portanto uma convenção, e que não é uma lei natural; 5 - Circulo vicioso, as convenções tomam por evidente e demonstrado justamente aquilo que se deveria demonstrar e isso acontece porque é impossível a demonstração do quem se quer demonstrar.
            Segundo Sexto Empírico, no dia a dia o cético deve seguir quatro direções essenciais: 1 - os sentidos, que são os desígnios dados diretamente pela natureza; 2 - as necessidades naturais do corpo; 3 - as leis tradicionais que são os caminhos trilhados pela natureza humana e 4 - as artes e suas normas que são também muitas vezes criações e expressão da natureza humana.


2º ano

1º Trimestre

Medievais

Renascentistas



Fevereiro  

Medievais
  • Agostinho de Hipona 354-430
  •  Nasce SANTO AGOSTINHO.
    400: Santo Agostinho escreve Confissões. A filosofia é absorvida pela teologia cristã. Neoplatonismo. 
  • 529: Fechamento da Academia em Atenas, pelo imperador Justiniano, marca o fim da era greco-romana e consolida a entrada na Alta Idade Média. 


09) A Patrística é o primeiro momento da filosofia cristã. Sobre esta tendência filosófica, leia as seguintes afirmativas:
I. a Patrística é um movimento de pensadores cristãos que procura justificar teórica e filosoficamente a concepção de vida e de mundo depreendida da Bíblia.
II. Boécio não é considerado um pensador da Patrística.
III. Plotino é um pensador considerado como participante da Patrística.
IV. a Patrística sempre rejeitou a filosofia greco-romana em seu todo.
V. Santo Agostinho é considerado o maior pensador da Patrística latina.
VI. um dos temas fundamentais da Patrística é a discussão do sentido da Santíssima Trindade.
Assinale a alternativa CORRETA.
A( ) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
B( ) Somente as afirmativas I, II, V e VI são corretas.
C( ) Somente as afirmativas III, V e VI são corretas.
D( D) Somente as afirmativas I, V e VI são corretas.
E( ) Somente as afirmativas II, V e VI são corretas.

10) Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo.
Sabemos das lutas de Santo Agostinho contra as heresias, especialmente no que tange às suas interpretações do sentido histórico da religião cristã. Uma destas heresias foi o Pelagianismo. Segundo Santo Agostinho, em que consiste o erro a que essa heresia conduz?
A( ) Todos os seres humanos são hereges.
B(X ) Se não há pecado original, então tampouco pode haver a missão salvadora de Jesus Cristo.
C( ) O ser humano é mau por natureza, não por escolha.
D( ) Deus, ao criar o ser humano, também criou o mal.
E( ) Não há como superar o mal.


  • Março 

  • 980: Nasce AVICENA. Aristotelismo. 

  • 1079: Nasce ABELARDO. Conceitualismo. 


  • Abril

  • Santo Anselmo 1033-1109
  • 1033: Nasce SANTO ANSELMO. Realismo Moderado. 
  • 1126: Nasce AVERRÓES. Averroísmo (Panteísmo emanatista). 
  • 1135: Nasce MAIMÔNIDES. Sincretismo de aristotelismo e judaísmo. 

  • Robert Grosseteste 1168-1253
  • Alberto Magno 1200(c.)-1280
  • 1206: Nasce SANTO ALBERTO, o grande. Aristotelismo. 

Maio
  • Tomas de Aquino 1225-1274
  • 1225: Nasce SANTO TOMÁS DE AQUINO. Síntese cristã do aristotelismo e do agostinismo. 
  • Meados do séc. XIII: Tomás de Aquino escreve seus comentários sobre Aristóteles. Era da filosofia escolástica. 

  • junho

 Julho
Thomas More 1478-1535

 Agosto  
Galileu Galilei 1564-1642

Setembro 
Giambattista Vico 1668-1744
    3º Trimestre

    Renascentistas

     Dezembro
    • Francis Bacon 1561-1626

    • 1633: Galileu é forçado pela Igreja a abjurar a teoria heliocêntrica, até que (e se) surgissem evidências conclusivas dessa hipótese.
    • Newton 1643-1727
    • Giambattista Vico 1668-1744

     3º ano

    1º Trimestre
    Fevereiro  

      Modernos

      Março 
      • Descartes, René (1596-1650) Cartesianismo (Idealismo)
      • 1641: Descartes publica Meditações, início da filosofia moderna. 
      Abril 

      Pascal, Blaise (1623-1662)
      • Spinoza, Baruch de (1632-1677) 
      • 1677: Morre Spinoza. Publicação póstuma de sua obra Ética.

      2º Trimestre

      Maio
      • Locke, John (1632-1704)
      • 1689: Locke publica o Ensaio Sobre o Entendimento Humano. Início do Empirismo.

      junho 


        julho
        • Leibniz, Gottfried (1646-1716) Ecletismo idealista. 
         Agosto 
         Setembro 

        3º Trimestre
        1710: Berkeley publica Princípios do Conhecimento Humano, levando o empirismo a novos extremos. 
        • Reid, Thomas (1710-1796)
        • Outubro
        • Hume, David (1711-1776)
        • 1739-40: Hume publica Tratado Sobre a Natureza Humana, conduzindo o empirismo a seus limites lógicos. 
         Novembro 
        Dezembro
        • Kant, Immanuel (1724-1804)
        • 1781: Kant, despertado de seu sono dogmático por Hume, publica a Crítica da Razão Pura. Início da grande era do idealismo alemão.
        • Beccaria, Cesare (1738-1794)
        • Stewart, Dugald (1753-1828)

        3º e 4º ano

        1º Trimestre

        Fevereiro  
        • Fichte (1762-1814)
        • Hegel (1770-1831)
        • 1807: Hegel publica Fenomenologia do Espírito: apogeu do idealismo alemão. 
        • Mill, James (1773-1836)
        • Schelling (1775-1854)

                  • Março 


        • Schopenhauer, Arthur (1788-1860)
        • 1818: Schopenhauer publica O Mundo Como Vontade e Representação.


        • Abril 


        Contemporâneos


          
        Agosto
         Setembro 
        • Marx, Karl (1818-1883)
        • 1944  Marx escreve Manuscritos de Filosofia e Economia que dão origem a teoria Marxista.
        • James, William (1842-1910)
        3º Trimestre

         Outubro

        • Wittgenstein, Ludwig (1889-1951)
        • 1921: Wittgenstein publica o Tractatus logico-phiosophicus, advogando a solução final para os problemas da filosofia.
          Novembro 
        • Heidegger, Martin (1889-1976)
        • 1927: Heidegger publica a primeira parte de Ser e tempo, anunciando a ruptura entre a filosofia analítica e a continental.
        • Carnap, Rudolf (1891-1970)
        • Zubiri, Xavier (1898-1983)

        • Adler, Mortimer (1902-2001)
        • Marinho, José (1904-1975)



        Dezembro
        Referencias:

         CHAUI, M. Filosofia, Série Novo Ensino Médio, Volume Único, São Paulo, Editora Ática, 2004, pp. 23-5.

         http://www.filosofia.com.br/biografias.php?pg=1
        http://www.filosofia.com.br/
        http://www.filosofia.com.br/provas.php

         http://portalfk.blogspot.com.br/2008/04/filsofos-por-ordem-cronolgica-em.html
         https://www.algosobre.com.br/filosofia/mito-e-filosofia.html

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